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A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

Freedom, George Michael por George Michael e (belíssima) companhia

Freedom. O documentário de e sobre George Michael - terminado dias antes de morrer, no Natal de 2016 - recorda-nos que para lá do excêntrico destemido e de ego enorme (o próprio documentário feito pelo próprio mostra um pouco isso) houve um compositor, intérprete e artista notável e memorável. Daí que mesmo sendo egocêntrico, o doc é comovente e entusiasmante (ao ponto de voltar a colocar álbuns antigos de George Michael no top das vendas do Reino Unido).
 
 
Adorei recordar e perceber o contexto peculiar do belíssimo videoclip de Freedom (realizado por David Fincher - quando ainda era 'apenas' um realizador de videoclips). Um vídeo com voz de George Michael mas sem ele, 'substituído' pelas Top das Top Models da época: Naomi Campbell, Linda Evangelista, Cindy Crawford, Christy Turlington e aquela de que ninguém se lembra do nome.
 
 
Conhecia alguns clássicos dos Wham mas com pouco mais de 10 anos não sabia quem era George Michael, até que o ouvi cantar Somebody To Love, no tributo de 1991 a Freddie Mercury. Lembro-me de ficar surpreendido por haver alguém com aquela energia e autenticidade na voz só equiparada ao próprio Freddie.
O documentário pega precisamente nessa interpretação mas leva-nos por tudo aquilo que George atravessava de difícil na sua carreira (luta com a Sony) e a forma como encarava a vida de estrela, as pressões e o amor (por um brasileiro que ficou com SIDA). Mesmo sem ter depoimentos da família, constatamos, recordamos e damos valor ao incrível talento com a ajuda de vozes como Stevie Wonder, Mary J. Blidge, Tony Bennet, Liam Gallagher, Ricky Gervais, James Corden. A frase do self-doc é de Stevie Wonder: “You mean George is white, are you serious, oh my God!” 
 

 

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Mindhunter, o aprendiz da mente humana

Mindhunter. O tema dos assassinos em série já deram vários filmes memoráveis ao cinema. Off the top of my head lembro-me de Copycat, Se7en, Zodiac (estes dois do Fincher), Natural Born Killers, O Silêncio dos Inocentes, Hannibal, Kalifornia, entre muitos outros.

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A nova série da Netflix, produzida por David Fincher e uma tal de Charlize Theron, passa-se numa altura em que o estudo deste tipo de assassinatos por desporto estava nos primórdios. Mais do que ser um bom documento desse início, Mindhunter é uma belíssima série filmada como se de um filme se tratasse - não é por acaso que o notável Fincher assina a realização de alguns episódios. Além de nos fazer perceber mais sobre as mentes perversas de pessoas sem escrúpulos, este acaba por ser um tratado sobre a mente humana, a forma como manipulamos e nos deixamos manipular e nos deixamos ir com certas correntes.

Os excelentes actores e actrizes são fulcrais para tornar tudo mais cativante e convincente, com especial destaque para Jonathan Groff, o protagonista obcecado por perceber a mente dos serial killers com um nome peculiar, Holten Ford (a combinação de duas marcas de carros americanas); e destaque para Hannah Gross, que interpreta a fascinante namorada de Holten. Um bom pedaço de entretenimento que nos faz filosofar como a nossa própria mente funciona é um achado.

O tema da mente humana parece fascinar Fincher e o realizador de Fightclub, Se7en, O Jogo e companhia consegue ser sempre fascinante - como também se viu em House of Cards. Venham mais (ao décimo episódio da primeira temporada só fico com pena por ter de esperar um ano para ver a segunda temporada).

Jack Sparrow e o espectáculo pirata

Foi a estreia principal (a mais mediática) da semana passada nas salas nacionais, chama-se Pirata das Caraíbas: Homens Mortos Não Contam Histórias e traz de volta a saga de Capitão Jack Sparrow, no seu 5º capítulo. Já o vimos e ficamos entre as saudades de Sparrow e o exagero do espectáculo-Caraíbas.

 

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Está de volta a saga de Capitão Jack Sparrow, agora no seu quinto capítulo, catorze anos depois de A Maldição do Pérola Negra. Já vimos o novo filme e ficámos entreas saudades de Sparrow e o exagero do espectáculo-Caraíbas.

Jack Sparrow continua mais ou menos igual a si mesmo, com as rastas, anéis, olhos negros e amor ao álcool. Parece um pouco mais tonto e deixado ao acaso – é o pirata mais sortudo de sempre – do que nunca.

E agora tem um rival de peso, o temível semi-crustáceo, Capitán Salazar, que é como quem diz, Javier Bardem. Contratação nova, que usa como slogan pessoal ‘El Matador Del Mar‘ com uma tripulação de mortos vivos.

Isto aproxima ainda mais a saga dos populares zombies, de Walking Dead (estes são mais rápidos). Será este um encontro Piratas-Transformers(pelo espectáculo)-Walking Dead? Em certa medida.

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Há bons momentos em Homens Mortos Não Contam Histórias, mas o espectáculo, a certa altura, é exagerado, como noutros capítulos da saga. Jack Sparrow safa-se por mero acaso. 

Antes parecia manipulador ao ponto de parecer sempre tonto e desapercebido mas, depois, revelava estar atento e ter um plano na manga. Agora parece que não há plano, só se safa (sempre e no limite), por mero acaso. Não é mérito dele. Tira força à personagem.

Continua a ser uma saga divertida para se ir ver ao cinema, cativante por ter personagens por quem temos um carinho especial, mas podia ser bem melhor e mais fiel aos dois primeiros filmes. Entrou num modo ‘Michael Bay’ de onde parece que não irá sair tão cedo.

A sensação que dá é a de que quando o sobrenatural passou a comandar as operações, se tentou incutir mais e mais intensidade sobrenatural a cadanovo capítulo. Agora é sempre exagero.

Depois há… Paul McCartney como tio de Jack (e com a mesma fatiota e estilo do sobrinho). Muito pouco convincente! As receitas não têm de ser repetidas – antes tinha sido Keith Richards como pai de Jack, mas com mais sucesso por vários motivos, até pelo perfil ‘rebelde’ de Keith.

No lado positivo há os novos membros do elenco, além de Javier Bardem, o perigoso capitão Salazar. Os dois jovens britânicos têm piada e química e são uma lufada de ar fresco numa saga já ‘antiga’, com treze anos. 

Curiosamente emolam os papéis de Orlando Bloom e Keira Knightley no passado – eles que até voltam a entrar (mas pouco) nesta nova saga. Henry (interpretado por Brenton Thwaites) é o filho de Will Turner (Orlando Bloom – que aparece).

Este herói busca o lendário Tridente de Poseidon, a única forma de libertar o seu pai do mar. Depois há a nova rebelde-semi-cientista Carina Smyth, papel desempenhado por Kaya Scodelario – uma espécie de nova Elizabeth (Keira Knightley).

A saga, agora com Homens Mortos Não Contam Histórias, ficou nas mãos dos noruegueses Joachim Rønning e Espen Sandberg, que não mudam particularmente o tom dos filmes recentes (nem podiam, Jerry Bruckheimer não o iria permitir). 

Pormenores à parte, continua a saber bem rever Johnny Depp como Jack Sparrow, ele que não voltava desde 2011, quando surgiu em Piratas das Caraíbas – Por Estranhas Marés, com Penélope Cruz a vir com a maré.

Depp não tem parado, ou não tivesse dívidas para pagar. Entre outros, tem a chegar Crime no Expresso do Oriente, a adaptação do romance de Agatha Christie de Keneth Branagh e a sequela Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los.

um caminho chamado casa

Lion. Às vezes o mais importante é respeitar e homenagear o puto que fomos (e, à distância, ainda somos). Ficaria contente se Hollywood deixasse por uns instantes o La La histerismo de lado e surpreendesse todos dando o Óscar a Lion (ou Manchester by the Sea, por razões diferentes). O melhor do filme é, sem dúvida, o puto que faz de Saroo (o incrível Sunny Pawar) e a viagem que ele vive antes (com o irmão a cuidar dele) e depois de se perder da família com apenas 5 anos. Que interpretação notável. O que se segue, com Dev Patel, é um 'segundo filme' de um jovem adulto em busca de respeitar o puto que foi - o mesmo que tentou tudo para voltar a casa, numa parte remota da Índia, depois de ter adormecido num comboio sem ninguém que a certa altura arrancou. É tudo tão óbvio (é uma história real) mas tão emocional e vibrante e com uma realização cuidada e em crescendo. E para o final, só me perguntava... "e o irmão?!" "e o irmão?!" Um filme destes leva-me para tão longe e para tão perto, para o puto que fui e que ainda anda por aqui de vez em quando. E, num dia como hoje, não deixo de olhar para o meu puto e pensar nos putos que por um motivo ou outro, perdem (ou nunca o chegam a ter) o amor de quem lhes deseja bem, de quem se sente ligado (mothers/fathers/brothers/sisters bond) e cuida deles enquanto não aprendem a cuidar de si próprios.

 

 

 

E o Óscar vai (devia de ir) para...

Sou suspeito, todos somos. O cinema é a arte da subjectividade, da forma como uma história tem reflexo (ou não) na pessoa que somos. E por isso nada é garantido, tudo é sentido. Especialmente nos filmes que é suposto fazerem alguma diferença. É seguindo esta máxima que escolho aqui os que vejo com mais potencial de ganharem o Óscar e aqueles pelos quais vou estar a torcer para que vençam.

 

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Melhor Filme
Vai ganhar: La La Land - É um musical com bons momentos mas vale mais como filme em geral do que apenas como musical. É uma história bem mais simples, centrada em menos personagens e ao mesmo tempo mais densa do que muitos musicais recentes. Num ano onde não há um vencedor óbvio no género mais típico a vencer o melhor filme, o drama, La La Land é diferente e peculiar e tem (quase) tudo para ganhar mas dizem que Moonlight está à espreita (pessoalmente achei que tinha partes incríveis mas desiludiu-me um pouco a nível de história a certa altura - queria mais enredo/narrativa - e como um todo achei menos brilhante por isso).

 

Devia ganharManchester by the Sea - Senti uma espécie de murro no estômago ao ver o filme e acho que é de uma intensidade dramática incrível, com uma história muito simples. Acho normal e aceitável que não vença e sentir-me-ei satisfeito com o Óscar de melhor realizador para Kenneth Lonergan. Tenho um carinho especial por Lion e mesmo admitindo que não é filme que encha as medidas da Academia, encheu-me as medidas a mim de uma forma a certa altura avassaladora. Também sinto 'love' por Vedações e Hacksaw Ridge (neste último mais porque é incrível ver Mel Gibson a continuar a reinventar-se com novas e intensas histórias bem contadas). Não percebo como Elementos Secretos está nomeado. 

 

Melhor Realizador
Vai ganhar: Damien Chazelle, por La La Land - Não é nada certo que ganhe mas há sinais nesse sentido. Se Moonlight ganhar o melhor filme parece-me certo que Chazelle ganha este, tal como o inverso também é provável embora eu espere que não aconteça.

Devia ganhar: Kenneth Lonergan, por Manchester by the SeaChazelle tem um trabalho incrível em La La Land e Moonlight também tem partes excelentes (embora para mim tenha depois limitações) mas o meu favorito é o trabalho de Lonergan em Manchester by the Sea. Há muito tempo que não via o trabalho de um realizador e editor ser tão determinante na forma brutal como recebemos sentimentos de uma personagem. Os momentos mais dolorosos e incríveis são sem diálogo, num jogo entre música clássica e as personagens/actores a 'sentirem' a dor. Fiquei surpreendido pelo bom trabalho de Denzel Washington em Vedação, não esperava. E Arrival também é especial a nível de realização, sem esquecer de Mel Gibson está como peixe na água no filme de acção do ano, Hacksaw Ridge.

 

Melhor Ator
Vai ganhar e devia ganhar: Casey Affleck, em Manchester by the Sea - Casey Affleck já tinha mostrado ser um actor denso noutra ocasiões mas nunca tanto como agora. Há uma simbiose entre a interpretação dele, a história que se conta e a realização e edição raras e não só é o favorito em geral como é o meu favorito. Menção honrosa para Denzel Washington em Vedações e para Viggo Mortensen em Capitão Fantástico. Andrew Garfield também está no ponto em Hacksaw Ridge (acabo por gostar mais dele aqui do que em Silêncio) e Ryan Gosling, sorrisos matreiros à parte, também me surpreendeu em La La Land mas não o suficiente para ganhar (nem sei se o nomearia). 

 

Melhor Atriz
Vai ganhar e devia ganhar: Emma Stone, em 
La La Land - Estou em falta nesta categoria. Não vi Meryl Streep em Florence Foster Jenkins nem Isabelle Huppert em Elle. Mas pelos trailers, entrevistas e outros textos que li, veria com bons olhos Isabelle Huppert vencer em vez de Emma (um reconhecimento também de carreira). A Emma Stone já teve grandes papéis e segue essa linha em La La Land, suportando em muitos momentos o filme - sorte a de Chazelle e Gosling. Entre o vulnerável e o confiante, ela está lá.


Melhor Ator Secundário
Jeff Bridges, em Hell or High Water
Vai ganhar e devia ganhar: Mahershala Ali, em Moonlight - Que interpretação de um actor que tive o prazer de conhecer e que fez do traficante de droga cubano Juan não só uma personagem densa e convincente (numa interpretação sensível e sem excessos) mas também alguém com quem criamos uma empatia peculiar. Menção honrosa para Dev Patel - finalmente um papel no cinema a mostrar o que ele é capaz - e para Michael Shannon em Animais Nocturnos (está incrível entre o polícia duro mas que esconde bem um 'soft spot').


Melhor Atriz Secundária
Vai ganhar e devia ganhar Viola Davis, em Vedações
 - Até meio do filme parece que tudo está feito para Denzel brilhar mas depois salta Viola para a ribalta com uma intensidade e paixão impressionante. Ela meteu toda a carne no assador na parte final e ela, o filme e nós ganhamos com isso. Já a entrevistei em 2008 a propósito de um filme que a colocou no mapa do cinema, Dúvida (pena não ter ganho mais Óscares nesse ano). Tal como em Dúvida, ela está incrível e à terceira será de vez. Viola é a primeira mulher negra a conseguir a terceira nomeação para os Óscares e tudo começou com a Dúvida. Não vejo ninguém perto do seu nível, nem Naomi Harris em Moonlight, nem Nicole Kidman, nem Octavia Spencer nem Michelle Williams.


Melhor Argumento Original
Vai ganhar e devia ganhar: Manchester By the Sea - O argumento em conjunto com a realização e interpretações são notáveis. La La Land também tem potencial para ganhar mas se Manchester vencer melhor realizador, La La Land melhor filme, até gostava de ver o Mulheres do Século XX recompensado nesta categoria. É um belo filme. Não vi o Hell or High Water.


Melhor Argumento Adaptado
Vai ganhar e devia ganhar: Moonlight - Os diálogos e a intensidade de várias cenas são de grande nível e mesmo que não goste de algumas escolhas da história a certa altura parece-me bem dado. Mas também via com bons olhos distinção para Lion, Hacksaw Ridge ou Arrival.


Melhor Filme Estrangeiro
Vai ganhar e devia ganhar: Toni Erdmann (Alemanha) - É um grande e intenso filme e os outros não vi. É o favorito.

 
Melhor Documentário
Vai ganhar: OJ: Made in America


Melhor Direcção Artística
Vai ganhar: La La Land

Podia bem ganhar: Fantastic Beasts and Where to Find Them

 

Melhor Fotografia
Vai ganhar e devia ganhar: La La Land - A nível visual o musical é brutal. Só para rimar. Arrival também podia ter algo a dizer. 


Melhor Guarda-Roupa
Devia ganhar: Fantastic Beasts and Where to Find Them
Vai ganhar: La La Land

Melhor Montagem
Devia ganhar: Hacksaw Ridge
Vai ganhar: La La Land


Melhor Banda Sonora Original
Vai ganhar e devia ganhar: La La Land

Melhor Canção Original

Vai ganhar e devia ganhar: “City of Stars,” La La Land

 

 

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Melhores Efeitos Visuais
Vai ganhar devia ganhar: O Livro da Selva - Devo admitir que olhando para os filmes do ano, houve um que se destacou não só por me surpreender como por apelar ao meu de pré-adolescente que vibrava com este tipo de filmes de aventura e fantasia, este O Livro da Selva. E os efeitos são verdadeiramente incríveis. Não parecem efeitos, parece real e isso é o melhor elogio que se pode fazer. 

 

 

Abrir (outra vez) o Livro da Selva ao mundo

O Livro da Selva traz de volta ao cinema os valores que inspiraram várias gerações usando imagem real e CGI. O jovem Neel Sethi é uma boa surpresa como Mogli e Bill Murray dá a voz ao divertido urso Baloo.

 

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A coleção de contos (de 1894) é do autor britânico Rudyard Kipling; a readaptação ao cinema quase 50 anos depois da popular animação da Disney é de Jon Favreau (o ator e realizador que depois de ter dirigido Homem de Ferro, entre outros, experimenta outros tipos de filme); mas a história original é universal e mantém-se tão atual e humana quanto era em 1894, quando os contos foram lançados.

Usando com mestria – do melhor que já vimos no cinema – animação CGI (mais usada para representar os animais falantes) combinada na perfeição com cenários reais e atores reais, acompanhamos Mogli (bela interpretação do indiano-americano Neel Sethi, escolhido entre duas mil crianças).

Este humano abandonado na selva ainda bebé foi resgatado pela pantera Baguera (voz de Ben Kingsley) e criado como membro de uma alcateia de lobos falantes onde é acarinhado pelo mãe loba (a voz suave de Lupita Nyong'o).

Ainda criança tem dificuldades para se sentir aceite por todos os animais da selva - é inclusive olhado de lado. Mogli é obrigado a crescer e fugir quando o temível tigre Shere Khan (voz de Idris Elba) o descobre e quer eliminar só por ser humano.

Ajudado por Baguera ele tem de fugir da selva em busca do ‘terra dos homens’. É nessa viagem que consegue fugir às mandíbulas da traiçoeira cobra Kaa (voz Scarlet Johansson) e conhece o divertido, pachorrento e necessitado de mel, urso Baloo. Bill Murray empresta a voz e a sua comédia carismática ao urso gigante que se torna amigo de Mogli - uma personagem memorável, divertida e carinhosa.

É nesta aventura que Mogli aprende que ser diferente dos outros pode ter vantagens.

Do elenco de vozes faz ainda parte o gigante rei dos macacos 'Christopher Walken', que dá ao filme o seu momento 'musical'.

Esta viagem incrível e inspiradora, capaz de cativar pessoas (e até eventualmente animais) de todas as idades, funciona muito bem em 3D e em IMAX e mostra que a Disney está a conseguir evoluir no caminho certo.

Não é por acaso que o livro original é usado há várias décadas como história motivacional para os jovens escuteiros (Lobitos) de vários países, inclusive Portugal.

Super Homem 'totó' no mundo de Batman envelhecido

‘Batman v Super-Homem: O Despertar da Justiça’ traz um dos duelos mais desejados e imaginados no mundo do cinema. Ben Affleck é uma boa surpresa como Batman mas Super Homem peca pela inocência num filme com guião pobre e que no cômputo geral é fraco e, em boa verdade, mau (falhanço monumental na capacidade de suscitar interesse enquanto o vemos). Apesar disso tem-se conseguido cingrar nas receitas de bilheteira.

 

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É um dos encontros mais aguardados dos últimos anos no cinema: Batman e Super-Homem. E a questão tem-se mantido desde o início de ambas as BD da DC Comics, dos anos 1930: quem venceria num duelo? O filme de Zack Snyder (de 300, Watchmen e Homem de Aço) tenta responder a essa questão num filme com muitos defeitos. Apesar de funcionar em certa medida como sequela de Homem de Aço, parece bem mais que estamos no mundo de Batman (tanto Gotham como Metropolis estão presentes) do que do homem voador.

Para surpresa de muitos o envelhecido, duro, sádico e vigilante obcecado Batman de Ben Affleck é o protagonista mais convincente no filme de Snyder, onde não faltam cenas de ação espetaculares e super-heróis cheios de demónios.

A premissa começa com um Super-Homem (Henry Cavill) envolvido em polémica. Depois de ter salvo Louis Lane (Amy Adams) das garras de um tirano africano, uma aldeia local é dizimada e muitos acreditam que Super-Homem deve prestar contas e é uma ameaça que tem de ser contida. É aberta uma comissão para estudar o tema e em ação entra Lex Luthor (Jesse Eisenberg, consegue ser consistente e algo assustador) que tenta provocar guerra com Super-Homem à medida que busca kryptonite que pode fragilizar o extra-terrestre poderoso.

Com um Batman amargurado – nem um versátil Alfred (Jeremy Irons) lhe dá a volta – e cada vez mais convencido que Super-Homem é perigoso, o caos vai voltar a Gotham e Metropolis. O problema está no guião e na forma como o conflito evolui: sempre usando a burrice ou a falta de perspicácia dos super heróis que não são assim tão inteligentes (Super Homem fica como o totó do filme). Ora, quando não temos um vilão forte e brilhante - e protagonista - como vimos em Dark Knight, o filme peca por pouco cativante em termos de história.

Resumindo, o filme de Snyder, embora tenha bons momentos, tem um guião pouco complexo e que mostra super-heróis demasiado crédulos. Uma boa surpresa é a entrada em cena da Mulher Maravilha, interpretada pela carismática israelita Gal Gadot.

Curioso para ver um filme a solo do Batman de Ben Affleck (já foi anunciado que vai ter direito a ele).

Entre Wall Street e o reino do urso: Somsen, Tendinha e Lopes escolhem os seus 'Óscares' favoritos

 

«Bem-vindos à 88ª edição dos Óscares». Assim vai começar a cerimónia dos prémios da Academia de Hollywood. Os prémios de cinema mais famosos do mundo são entregues este domingo. Falei, para o jornal onde trabalho, dos favoritos à vitória final para três críticos portugueses (não confundir com previsões sobre quem tem mais hipóteses para convencer a Academia, composta por mais de 5 mil marmanjos). Miguel SomsenRui TendinhaJoão Lopes, três cinéfilos diferentes e que conheço e respeito muito, dizem de sua justiça.

 

 

> Mais do que uma indústria gigante que chega a todo o planeta, o cinema é uma arte de imagens em movimento que suscita paixões pessoais mas transmissíveis. A 88ª cerimónia dos Óscares é já esta noite e, após o apelo de boicote por não ter pelo segundo ano seguido atores negros nomeados, o apresentador Chris Rock (que 'boicotou' o próprio boicote) não deve poupar nas suas piadas à Academia pela falta de diversidade – já o ano passado Neil Patrick Harris disse a abrir que eram homenageados «os mais brancos».

Todos os anos um dos aliciantes da cerimónia que é falada e vista em todo o mundo (transmitida em direto para 225 países) é cada um ter os seus filmes favoritos e poder torcer pelas suas escolhas pessoais.

Desafiámos três pessoas habituadas a escrever e falar sobre cinema em jornais, revistas e na televisão para falarem sobre os filmes que mais gostariam de ver eleitos naquele que foi «um belo ano em qualidade».

 

Miguel Somsen (TVI e Vogue), que gosta «muito da maioria dos filmes este ano» e acredita que «qualquer um podia ganhar» está dividido nas nomeações dos atores: «Gostava que Matt Damon vencesse mas Di Caprio também, é o maior».

O desempenho em The Revenant: O Renascido, onde lida com as mazelas de ser atacado por um urso, deve dar a Di Caprio o seu 1º Óscar. É o grande favorito à vitória depois de papéis icónicos ao longo dos anos que nunca lhe valeram a desejada estatueta.

 

Para Rui Tendinha (que escreve no DN e tem programa de cinema na SIC Mulher) Michael Fassbender e o ‘seu’ Steve Jobs merece mais, tal como Mad Max «devia vencer» em filme e realizador «mas não vencerá». O crítico que ao longo do ano entrevista dezenas de atores e realizadores está em Hollywood, onde acompanhará a emissão dos Óscares para a SIC Caras.

 

João Lopes (SIC Notícias/Cinemax da Antena 1) tem a mesma opinião sobre Fassbender - merece o Óscar - mas, tal como Somsen, prefere o surpreendente e independente filme Quarto, que «devolve ao cinema a verdade visceral da experiência humana» nesta história de uma jovem enclausurada por um raptor com o filho de cinco anos num barraco. O crítico de cinema daria o Óscar ao filme do irlandês Lenny Abrahamson, novato nestas andanças e a grande surpresa nos nomeados, para Filme do Ano, Realizador e atriz (Brie Larson).

Miguel Somsen, que também daria o Óscar a Quarto em Filme e Realizador, tem pena que Steve Jobs tenha ficado de fora da lista e Tom Hanks tenha sido ignorado como melhor Ator. Deixa ainda uma ressalva sobre a sua previsão para Filme do Ano: «dizem que O Caso Spotlight pode derrotar The Revenant mas eu não acho que vá acontecer». A sua escolha para melhor Realizador cai em Iñarritu, «outra vez». O realizador mexicano venceu o ano passado por Birdman mas, por isso mesmo, talvez não consiga vencer este ano.

 

Já as preferências para melhor Atriz de Somsen vão para a veterana Charlotte Rampling, «notável em 45 Anos», embora ache que Brie Larson será a vencedora. Tendinha preferia que vencesse a jovem irlandesa Saoirse Ronan, protagonista de Brooklyn, «mas não vence».

Para atriz secundária, Lopes e Tendinha preferem Rooney Mara em Carol e Somsen escolhe Kate Winslet (a favorita à vitória final neste momento). Já no ator secundário Mark Rylance (o favorito, pelo papel de espião russo em Ponte de Espiões) é a escolha de Lopes mas Tendinha prefere Mark Ruffalo e o seu papel como jornalista de origem portuguesa em O Caso Spotlight. Já a preferência de Somsen vai para Christian Bale como analista financeiro que previu o colapso financeiro em A Queda de Wall Street.

 

Três críticos, várias opiniões. Rui Tendinha, que está em Hollywood pela SIC Caras, admite que de acordo com a imprensa local depois de O Caso Spotlight, A Queda de Wall Street é o único filme que pode fazer frente ao favorito The Revenant na categoria mais desejada.

Certezas sobre vencedores não há mas opiniões e paixões sobre os filmes em competição não faltam.

Oscars, Oscars, who will win?

Mais interessante do que quem vai ganhar é quem é que eu quero que ganhe. Para quem gosta de filmes, ver os nomeados e escolher os preferidos (e até os que deviam estar na lista e não estão) é um dos maiores aliciantes da cerimónia propriamente dita. Coloca-me a torcer pelos meus favoritos. Este ano houve bons filmes e não ficarei triste se o grande favorito The Revenant vença porque também não tenho um grande favorito. Na categoria de melhor filme fico na dúvida entre Mad Max e Quarto mas caso vença Spotlight ou The Revenant também me parecem boas escolhas. É o ano em que me sinto mais dividido nesta escolha.

Mad Max consegue fazer de um filme de acção e pura adrenalina, uma peça cinematográfica repleta de traumas, contextos e sentimentos profundos.

Quarto é um pequeno e simples filme independente que abre 'mundos' (de imaginação e esperança) com um guião poderoso, uma realização subtil q.b. e perfeita para a história e interpretações emocionais sem serem lamechas.

Spotlight é um belíssimo retrato sobre os bastidores do jornalismo mais 'puro', com um elenco de grande química e momentos fortes.

The Revenant vive da natureza (e 95% do que vemos no filme são 'cenários' naturais), que aparece aqui como peça central pela beleza e pela forma como dá os desafios aos seres humanos, pelo frio e através de um ataque de urso a Di Caprio. É um belo filme, notável em muitos aspectos, especialmente no contexto em que foi rodado, e que também será sempre um justo vencedor. Há fortes argumentos para dar o Óscar ao filme de Iñarritu e Di Caprio - o mexicano faz magia cinematográfica pelo segundo ano consecutivo depois do incrível, peculiar e bem diferente Birdman. Ainda assim sentia mais amor (para ganhar o Óscar) por Birdman do que por The Revenant e há também a questão de ser provável vencedor em anos seguidos...

Poucos falam nisto mas uma das curiosidades desta 88ª edição dos Óscares é Tom Hardy. Está nomeado como melhor ator secundário por The Revenant e é co-protagonista num dos filmes do ano, Mad Max.

 

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Aqui fica a minha lista (podem ver as previsões da Variety aqui, do crítico do Guardian aqui e as diferentes perspetivas e gostos e previsões dos críticos da Variety aqui):

 

 

Melhor Filme

Quem vai vencer: The Revenant

Quem devia ser o vencedor: Mad Max (ou Quarto, eventualmente The Revenant ou Spotlight)

Quem podia estar na lista: Steve Jobs (The Walk)

 

Melhor Realizador

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Quem vai vencer: Iñarritu, outra vez, diz a Variety, o New York Times, entre outros

Quem devia ser o vencedor: George Miller ou Lenny Abrahamson

Quem podia estar na lista: Danny Boyle

 

Melhor Atriz

Quem vai vencer: Brie Larson

 

Quem devia ser o vencedor: Saoirse Ronan ou Brie Larson 

 

Melhor Ator

Quem vai vencer: Di Caprio

Quem devia ser o vencedor: Fassbender, Di Caprio ou Matt Damon

 

Melhor Atriz Secundária

Quem vai vencer: Alicia Vikander

Quem devia ser o vencedor: Kate Winslet ou Rooney Mara ou Alicia Vikander

 

Melhor Ator Secundário

Quem vai vencer: Stallone

Quem devia ser o vencedor: Mark Rylance ou Stallone ou Ruffalo

 

Melhor Argumento Adaptado

Quem vai vencer: The Big Short

Quem devia ser o vencedor: The Big Short ou Brooklyn

 

Melhor Argumento Original

Quem vai vencer: Spotlight

Quem devia ser o vencedor: Ponte dos Espiões ou Spotlight ou Divertida-mente

 

Melhor Filme de Animação (Longa-Metragem)

Quem vai vencer: Divertida-mente

 

Melhor Filme de Língua não inglesa

Quem vai vencer: Son of Saul (Hungria)

 

Melhor Documentário (Longa-Metragem)

Quem vai vencer e quem deve vencer: Amy

 

Melhor Fotografia

Quem vai vencer: The Revenant

Quem devia ser o vencedor: Mad Max ou The Revenant

 

Melhor Montagem

Quem vai vencer: Mad Max

 

Melhor Banda Sonora Original

Quem vai vencer e deve vencer: Os Oito Odiados

 

Melhor Canção Original

Quem vai vencer: Til It Happens To You – The Hunting Ground

The Big Short

Com criatividade na realização e alguma dose de humor sarcástico peculiar (ou não fosse o realizador Adam McKay, conhecido por comédias como Anchorman) esta é uma história verídica tão pertinente, interessante e informativa como um documentário mas bem mais profundo, por ter interpretações conseguidas e um guião que alimenta e ajuda a perceber uma história complexa e até matemática. A ganância sem limites parece regra da sociedade descrita no filme, onde a fraude e o engano fazem parte da vivência normal. O drama é o que isso provocou em milhões de americanos (perderam as suas casas e os empregos) e em milhões de pessoas em todo o mundo. Um capitalismo com base em fraude atrás de fraude. Este parece ser um filme sobre um grupo de homens a viver numa sociedade poderosa de cegos corruptos. Notável. Apesar de tudo dificilmente será o filme do ano nos Óscares.

Alicia Vikander, diva made in Sverige

Chama-se Alicia Vikander, é sueca mas mais parece espanhola e não só bela e sensual como uma actriz de pleno direito e capaz de mostrar carisma e intensidade. Está nomeada para os Óscares por A Rapariga Dinamarquesa mas já entrou em algumas pérolas recentes como Ex Machina ou O Agente da U.N.C.L.E.. Curiosamente todos estes filmes estrearam em 2015. Pode parecer uma nova Penélope Cruz em aspecto (têm semelhanças) mas tem ainda mais potencial do que a espanhola até porque se safa muito melhor com o inglês e parece bem versátil.

Aqui fica uma entrevista à jovem de 27 anos.

 

 

Zoolander em busca do mesmo olhar...

 

 

Sejam, de novo, bem-vindos ao maravilhoso mundo de Zoolander, o ícone da moda e das pessoas que são muito, muito, muito ridiculamente bem parecidas. Ben Stiller ressuscita uma das personagens mais divertidas, originais e repleta de ironia não intencional do início do novo milénio, Derek Zoolander.

Em 2001 o filme realizado, escrito e produzido por Stiller depressa tornou-se de culto e as expressões e atitudes ‘nonsense’ (os olhares Blue Steel e Magnum, por exemplo) serviam para criticar o snobe mundo da moda, a sociedade orientada para a beleza e deixar frases que se mantiveram.

Agora, 15 anos depois do 1º filme, Zoolander 2, ou Zoolander No. 2 (referência aos anúncios de perfume), mostra-nos um Derek amargurado e em reclusão após a morte da mulher – quando o seu instituto se desmoronou por má escolha de materiais.

Billy Zane traz a Derek e ao seu antigo rival dos modelos masculinos Hansel (Owen Wilson) uma proposta irrecusável de voltaram ao novo mundo da moda sob a égide de um dos novos designers.

O que se segue é uma história rocambolesca repleta de momentos peculiares:

- envolve um conjunto de estrelas desaparecidas misteriosamente e cujas últimas fotos mostram o olhar de Zoolander, Blue Steel, incluindo Justin Bieber;

- o filho desaparecido que Derek quer recuperar;

- uma sensual inspetora da Interpol da Moda (Penélope Cruz);

- um bizarro ícone dos designers que gosta de lixo tóxico na sua moda e uma lista de cameos da música à moda incrivelmente extensa, de Susan Sarandon a John Malkovich, Naomi Campbell, Neil deGrasse Tyson, Kate Moss, Susan Boyle, Tommy Hilfiger, M. C. Hammer, Marc Jacobs, entre muitos outros.

Benedict Cumberbatch faz de modelo híbrido entre homem e mulher e Sting e Kiefer Sutherland têm participações no mínimo peculiares onde usam os seus próprios nomes.

O filme nonsense consegue ter momentos divertidos q.b. mas está bem longe de acertar na comédia e na ironia como o primeiro o fez. Sabe a pouco e o chorrilho de estrelas que aparecem parece ter bem menos piada e pertinência do que vimos em 2001 - na altura foi possível ver um estranho modelo de mãos David Duchovny. Se no primeiro filme Zoolander passava de olhar em olhar, agora parece haver menos evolução tanto em busca de olhares da moda como evolução na personagem e da história.

E os melhores de 2015 são...

Aqui fica o meu top do ano (dos filmes estreados em Portugal, sem contar com os filmes que estrearam no início do ano e foram protagonistas nos Óscares) - sem ordem em particular:

Mad Max: Estrada da Fúria

Ex Machina

A Ponte dos Espiões

Steve Jobs

Divertida Mente

O Agente da UNCLE

Star Wars

A Família Belier

007 Spectre

Predestinado – Predestination

The Walk

Amy

The Young and Prodigious TS Spivet

 

 

Menções honrosas para:

Evereste, pelos efeitos

Perdido em Marte, pelo Matt Damon em Marte

A Juventude

Morte Limpa – Good Kill

Mínimos

Chappie

 

Filmes já presentes na última edição dos Óscares que estrearam no início do ano e que não incluo na lista por motivos óbvios mas estariam noutra situação (por ordem de preferência):

Birdman

Whiplash

O Meu Nome é Alice

A Teoria de Tudo

Sniper Americano

O Jogo da Imitação

Big Eyes

 

Jobs, rebelde com causa

Steve Jobs - 8/10

 


O melhor filme feito sobre Steve Jobs até ao momento. Danny Boyle e Aaron Sorkin fazem uma parceria perfeita e os vislumbres incríveis a que assistimos dos momentos antes das apresentações de produtos são condensados de forma brilhante. Steve Jobs era abrasivo, exagerado e estava várias vezes errado mas era visionário em vários níveis. A fazer lembrar a personalidade de CR7 mas na questão de se tentar superar sempre, exigir o máximo de si e também dos outros que o acompanham numa missão/visão. O filme capta na perfeição esse espírito ao mesmo tempo que mostrar o ser humano com defeitos e atitudes pouco decentes.

A certa altura Woz diz a Steve, já na parte final do filme, não tens de um ser humano binário, podes ser decente e talentoso ao mesmo tempo. Incrível desempenho de Michael Fassbender. Mesmo sem parecer fisicamente Jobs parece muito nas acções, na intensidade, complexidade como ser humano e determinação. O filme, mesmo sem ter uma estrutura complexa, tem uma intensidade dramática e uma beleza de planos e momentos incrível - Danny Boyle deixa brilhar os belos diálogos de Sorkin e os belíssimos actores em cena.

Fassbender e Winslet têm uma química impressionante - curioso o facto de ambos serem ingleses. Winslet é Joanna Hoffman, responsável de marketing, assessora, confidente e amiga de Steve Jobs, alguém que provavelmente poucos sabiam que existia na vida deste homem famoso mas que o contraria, sofre com ele e por ele. E não só Seth Rogen mostra o seu nível dramático mais elevado (belas discussões com Jobs) como a presença de Jeff Daniels como John Sculley dá uma dimensão mais robusta nas actuações do filme.

A relação com a filha presente por todas as partes destes momentos antes da apresentação de produtos, embora talvez seja exagerada relativamente ao que aconteceu, mostram bem os problemas de Steve com a situação mas também um fundo de bondade que transparece com beleza e simplicidade no filme. As duas miúdas que fazem de Lisa também cumprem, num filme que honra sem pudores e com alguma crueza mas também com poesia e beleza o visionário difícil de aturar (salta à vista a distorção de realidade que por vezes punha em frente ou a crueza com que trata os outros) Steve Jobs.

O filme de Boyle acerta em não recriar as apresentações feitas por Steve mas foca-se nos momentos de tensão anteriores. E se há pecado importante que o filme tem são os exageros na ficção em detrimento da realidade (a chamada liberdade artística) para efeitos dramáticos, podem mostrar mais facilmente a personalidade dele assim mas exageraram bastante, pelo que é explicadado aqui, e é isso que torna o filme menos brilhante - numa personalidade destas era importante haver menos desvios sobre o que aconteceu.

Em certas alturas, por passar muito tempo em bastidores e andar-se sempre a correr contra o tempo e em stress (antes de Steve entrar em cena no palco), o filme faz lembrar Birdman.

Um mecanismo brilhante para criar intensidade dramática e mostrar tanto destas pessoas em tempo real - antes das tais apresentações. Um dos filmes do ano, muito também por ser um belíssimo filme sobre este visionário que mudou tanto em tão pouco tempo. Vislumbres de um visionário com atitude.

Magia Zemeckis no arame

The Walk  - 8/10

 

Que belíssima aventura visual que Robert Zemeckis nos traz, com a sua arte de contar histórias, o entusiasmo contagiante de Joseph Gordon Levitt no arame e na vida e com a magia visual e sensorial que o filme nos consegue transmitir seja por perícia nos efeitos, beleza da vista, como poesia na palavras de Petit. Um belíssimo filme, uma história épica que merece ser bem contada e que ganha uma dimensão diferente após a destruição em 2001 das Torres Gémeas.
O momento de passagem no arame de uma torre para a outra é o momento do filme, repleto de intensidade e twists (é um filme dentro do filme) e tira-nos literalmente o fôlego, torcemos por ele, sofremos por ele, temos tonturas com ele. Uma realização perfeita (mesmo!) e uma actuação à altura. Numa palavra: arrepiante... ah, e bom!

Youth, juventude selada num resort suíço

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O italiano Paolo Sorrentino leva-nos neste belo exercício de velhice - A Juventude - passado num resort de luxo dos Alpes suíços pela mente de dois homens de carreiras cheias mas as incertezas, medos e receios que foram construídos ao longo de uma vida de sucessos incríveis mas também tristezas imperdoáveis. Michael Caine e Harvey Keitel são dois amigos. O inglês é um compositor de sucesso, retirado e amargurado, o americano é um realizador/guionista de sucesso a tentar escrever o seu último guião obra-prima. Entrar pelas angústias pouco explicítas mas incrivelmente profundas destas duas personagens é tão peculiar (a imaginação anda à solta) quanto cativante.

Não falta um mundo de personagens intrigantes no meio deles os dois, desde o actor a estudar para um papel (Paul Dano), passando pela massagista que 'fala' com as mãos e que dança em casa da forma mais graciosa possível, até à prostituta tristonha que faz serviços pelo hotel e, claro, a filha (e assistente - Rachel Weisz) do compositor enganada pelo marido (que curiosamente é o filho do realizador) e que busca encontrar-se e encontrar algum amor do pai (que julga que nunca teve) e de um homem que a faça sentir desejada.

Muito bem filmado e de grande riqueza visual num cenário de beleza natural impressionante, A Juventude permite ver actores memoráveis e carismáticos a contracenar o que, por si só, é uma bela oportunidade. 

 

Um filme simples mas imaginativo q.b. que nos transporta para uma introspecção sobre a velhice no meio da beleza dos Alpes suíços.. PS: até Jane Fonda faz uma aparição!

7/10

«A ‘força’ é forte neste» Star Wars

A saga de Star Wars volta às origens, 32 anos depois, sob o leme de J.J. Abrams e com novos (e velhos) heróis. Este é ‘O Despertar da Força’. Já vi e abordo aqui a experiência... sem spoilers! Em resumo: Não sendo perfeito é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.    >> 7/10

 

 

Poucas experiências e ainda menos sagas de cinema têm este poder avassalador. Passados 32 anos da conclusão da 1ª trilogia de Star Wars, a história que apaixonou várias gerações (foi reposta no cinema retocada digitalmente em 1997) está de volta da forma mais maravilhosa possível: homenageia no tom certo a primeira saga transportando-nos de uma forma que pensávamos já não ser possível para aquele mundo.

Ver ‘O Despertar da Força’ é voltar a ver Star Wars, apesar de agora até estar sob a égide da Disney (George Lucas vendeu a Lucasfilm em 2012). Temos um sentimento raro, mágico até, de quem vê um velho amigo, um avô (em Han Solo, que está de volta em grande) ou um lugar, ambiente e realidade que esteve tão, tão distante, numa galáxia que agora está de volta. Convence. Apaixona. É feito por um apaixonado.  

J.J. Abrams é como um miúdo que tenta aproveitar ao máximo o seu brinquedo preferido e o seu entusiasmo transborda do novo filme para as cadeiras da sala de cinema. Por ironia do destino é quando um apaixonado da saga pega nela das mãos do seu criador, George Lucas, que a aproxima da primeira trilogia.

Lucas quis fazer diferente quando voltou à saga, 16 anos depois de O Regresso do Jedi (1983). O 2ª trilogia a surgir, lançada entre 1999 e 2005, contou a história que antecedia a 1ª trilogia, os antecedentes de temível Dark Vader - episódios I, II e III. Mas essa 2ª trilogia afasta-se em demasia do ambiente dos primeiros filmes, chega a parecer uma saga diferente, menos verosímil e com personagens mais próximas da animação - notam-se em demasia os efeitos especiais.

Nesta crítica procuramos contar pouco da história e mais da experiência – é fulcral evitar os chamados ‘spoilers’. A expetativa para a nova trilogia é gigantesca (são esperados recordes inéditos), depois de um marketing forte e de um regresso tão desejado.

 

Regresso ao passado

O homem que trouxe de volta Star Trek teve a ajuda preciosa do guionista Lawrence Kasdan, de ‘O Império Contra-Ataca’ e ‘O Regresso do Jedi’, bem como do talentoso Michael Arndt (de Little Miss Sunshine e Toy Story 3). O novo filme, não sendo perfeito, é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.

Embora esteja repleto de momentos, objetos, naves e regressos desejados (Han Solo, Leia, C3PO, a mítica nave Millenium Falcon), esta é uma história passada vários anos depois da morte de Darth Vader e do fim do Império. Agora uma nova força do mal está pronta para tentar mandar.

Este Despertar da Força quase podia mesmo ter o nome do 1º filme da 1ª trilogia que estreou em 1977 (IV capítulo), Uma Nova Esperança – que conquistou, na altura, seis Óscares. Tem os mesmos ingredientes - Luke Skywalker e Rey entram no início de cada uma das duas sagas de forma parecida, até no ambiente: um planeta-deserto. Se, por um lado, é eficaz e inclui cenas emocionais para os fãs antigos, por outro chega a parecer um remake dessa saga que apaixonou tantos e está pronta para apaixonar as novas gerações que não conhecem este ‘mundo’.

A maior crítica a fazer é a colagem por vezes exagerada ao primeiro filme. Também podia e devia ter um pouco menos de frases-chavões (ou podiam passar mais despercebidas) e gerir melhor as emoções das personagens - falta tempo para chorar a morte dos desaparecidos ou recordar o passado. Mas esse colar ao passado é também um dos seus trunfos. Ao contrário dos episódios I, II e III, é memorável, apaixonante e digno do gigantesco legado. Como diria Darth Vader, «a Força é forte neste».

 

PERSONAGENS

O temível Kylo Ren
O mau da fita é este Kylo Ren, uma espécie de sucessor/seguidor de Darth Vader. E mais não dizemos. É ver na sala. O actor que o interpreta, Adam Driver (que brilhou e mostrou versatilidade e um lado negro em Enquanto Somos Jovens), tem tudo para fazer de Kylo uma personagem icónica.

O troca tintas Finn - (SPOILER ALERT)
Finn (John Boyega) é um Stormtrooper em crise existencial que se junta ao piloto exímio Poe (Oscar Isaac). Boyega não está mal no papel, o maior problema é a rapidez com que na história tão depressa está desejoso de fugir para porto seguro e longe da confusão (só pensando em si) como no momento seguinte já só quer ser herói. Cola um pouco mal a mudança drástica. Poe é uma personagem que promete mas tira todo o proveito de Oscar Isaac - que esteve bem melhor em Ex Machina.

A ‘sucateira’ Rey
A atriz Daisy Ridley é a maior surpresa do filme. Ela é Rey, uma sucateira de um planeta deserto com desafios incríveis... É a ela que o droide da Resistência BB-8, uma espécie de versão mais moderna do divertido R2-D2 (que também aparece), mais vai servir. O filme claramente tenta quebrar as falhas em igualdade de géneros (e de raças, com a presença de Finn, um Stormtropper negro) da primeira trilogia, onde só Leia tinha falas. Agora até uma mulher chefe dos Stormtroppers existe. Não faltam mulheres extra-terrestres importantes no enredo. A verdade é que não parece forçado e no caso de Rey é uma mais valia para o filme. Resulta.

Han Solo (e Chewbacca)
Harrison Ford (o único dos actores da primeira trilogia que teve uma carreira completa no cinema além de Star Wars) está mais velho, tal como Han, mas em forma e não lhe faltam dilemas, com Leia (agora General e não princesa) à mistura. Han Solo é a personagem mais convincente e memorável no início desta nova trilogia.

 

Algumas curiosidades da 1ª trilogia (IV, V, VI):

- O som das TIE Fighters, as naves de caça do Império, é uma mistura entre o som dos gritos dos elefantes e um carro a derrapar;

- A ideia da personagem Chewbacca foi de George Lucas, que se inspirou no seu próprio cão, chamado Indiana. O nome serviu também de inspiração a Spielberg para usar o nome Indiana Jones;

- Alec Guinness, o ator que foi Obi-Wan Kenobi, estava reticente em participar, dizia que parecia ser um conto de fadas de má qualidade, foi convencido com um contrato para receber 2% das receitas de bilheteira. Resultado? Lucrou mais de 95 milhões de dólares.

Star Wars do princípio - intimidade intergaláctica

Lembro-me bem do meu fascínio avassalador pela saga Star Wars - na altura ainda Guerra das Estrelas - assim que vi a saga, algures para o fim da década de 80. Vi em VHS os três episódios. Era puto para ter os meus sete anos. Lembro-me do velho sofá de família me acolher naqueles minutos a ver magia no pequeno ecrã. Acho que nunca me tinha sentido tão próximo do espaço e de um mundo capaz de ir tão longe quanto a minha imaginação. Lembro-me de pensar: "Como é que a existência de um filme assim não passa nas notícias. Isto é genial. Devia ser obrigatório ver este filme". Lembro-me de sentir que era uma descoberta incrível aquela que eu tinha feito ao ver o filme e de serem poucas pessoas que o valorizavam como eu. Mas sempre que encontrava outro apaixonado ficava eufórico. Como se de uma religião se tratasse, tentava convencer os meus pais e colegas da Primária do Bairro da Ponte a embarcarem numa história intergaláctica distante no espaço mas tão verosímil, entusiasmante e repleta de sensações novas para um puto de sete ou oito anos. Mais tarde lembro-me de ficar chocado quando alguém não tinha visto a trilogia. E segundos depois já estava com um: "tens de ver! É inesquecível". Lembro-me de emprestar as preciosas três K7's VHS que guardava religiosamente no lugar de honra da minha colecção de filmes à minha namorada - actual mulher - quando começámos a namorar. Ela não tinha a certeza se tinha visto todos os filmes. Tinha de mudar isso. Mas infelizmente não fiz dela uma devota desta religião/saga repleta de seres estranhos, de uma força inerente que tudo controla, de um império do mal que tem origem em pessoas que já foram boas e em personagens verdadeiramente apaixonantes em situações complexas e moralmente ambíguas. Daqui a pouco vou ver o regresso da saga, com a esperança que seja mais fiel à primeira trilogia (IV, V e VI) e com a mesma naturalidade/intimidade intergaláctica.

Nesta paixão um dos momentos mais importantes foi quando a saga foi reposta no cinema em 1997, remasterizada digitalmente (com efeitos melhorados). Finalmente consegui ver tudo no cinema, como devia ter sido visto logo pela primeira vez. Andava em pulgas para que estreasse e, depois, confesso que me voltei a emocionar com as cenas mais memoráveis.

O Leão da Estrela: é uma família de leões, com certeza

A 2ª adaptação de um clássico da comédia nacional de Leonel Vieira é esta O Leão da Estrela, que estreia hoje por todo o país. Já sem referência ao Sporting, falámos com o guionista Tiago R. Santos e com o ator Miguel Guilherme (o Anastácio) sobre esta comédia «mais intimista» e sobre... os críticos 'eruditos'. >> 6/10

 

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Cerca de 600.000 espectadores viram O Pátio das Cantigas, versão de 2015, um recorde para os filmes portugueses nos tempos recentes mas quem nem por isso salva o filme - uma espécie de sketches de humor aglutinados. Agora chega ao cinema a segunda adaptação de Leonel Vieira de um clássico nacional.

O melhor conselho a quem viu os filmes antigos e vê agora estes? Ignorem o nome, estes não são remakes e mais vale serem vistos como filme novos e com relação ténue com os antigos-

O Leão da Estrela deixa de lado os leões de Alvalade e o FC Porto-Sporting, do filme de 1947, para se concentrar no futebol local da 3ª divisão (o que também tem a sua piada - são rivalidades diferentes mas igualmente à flor da pele). Miguel Guilherme é Anastácio, fanático pelo clube Leões de Alcochete e com um único objetivo, ir ver o importante duelo com os Barrancos do Inferno ao Alentejo.

Com menos personagens e bem mais complexo e cativante do que O Pátio das Cantigas, nesta comédia de costumes tudo gira à volta de uma família típica portuguesa – não falta o chico-espertismo e desenrascaço entre as personagens peculiares e com carisma próprio.

Tiago R. Santos, argumentista conhecido por colaborar desde Call Girl (2007) com António Pedro Vasconcelos, foi o responsável por escrever agora o guião adaptado. Ao Destak o guionista explica que «a premissa é a mesma, um tipo quer ver um jogo de futebol, tem de arranjar onde ficar e cria uma enorme mentira à volta disso porque são uma família de aldrabões, que está disposta a mentir para ficar à borla em casa de alguém».

«Era difícil fazer uma adaptação literal do filme, porque há muita coisa que já não ‘cola’, daí explorarmos o sentimento mais local. Isto é comédia-homenagem ao anterior filme, que tem a sua própria narrativa e os seus próprios diálogos», explica o experiente guionista, chamado agora por Leonel Vieira e que não escreveu o guião de O Pátio das Cantigas.

No centro da história, para além do fervoroso adepto dos Leões de Alcochete determinado em que a estrela brasileira da equipa (Divanei, um peculiar avançado amador que também é 'caixa' de supermercado) jogue, está a mulher de Anastácio (Manuela Couto), triste pelo marido se ter esquecido do aniversário de casamento, a filha popular no Facebook (Sara Matos) que tenta arranjar através de um amigo rico casa no Alentejo para a família ficar e a filha ‘rato de biblioteca’ e incompreendida (Ana Varela).

Não falta a exuberante sobrinha alentejana que vive com a família (Dânia Neto) e o namorado mecânico (Aldo Lima) que arranja um táxi para a agitada viagem pelo Alentejo, onde a família vai conhecer o adepto fanático pelo Barrancos do Inferno (José Raposo) e a rica e snob dona da casa onde esperam ficar (Alexandra Lencastre) e o seu filho (André Nunes). É na road trip até ao Alentejo e a bordo de um táxi emprestado de decorrem os melhores momentos de uma comédia leve, por vezes exagerada, mas eficaz na hora de fazer sorrir e entreter.

Entretanto o filme criou já polémica. O crítico do Público Jorge Mourinha disse que «nunca» se sentiu «tão insultado por um filme» e não olhou a palavras para atacar o que diz ser "um chorrilho de disparates filmado às três pancadas". Depois da crítica não ter sido convidada para ver O Pátio das Cantigas versão 2015, para o Leão da Estrela foi e Mourinho não olhou a argumentos para destruir. Ler a sua crítica é ler um exagero pegado. É difícil ver o filme e reconhecê-lo na crítica 'bota abaixo' de Mourinha. 

Em resposta, Tiago R. Santos que também é crítico de cinema mas da Sábado, diz que o que é verdadeiramente importante é que uma comédia «divirta o público». Sobre os chamados críticos ‘eruditos’: «escrevem uns para os outros».

«Uso o Jorge Mourinha como referência. Se ele gosta muito de um filme eu provavelmente não vou ver. Quando escrevo guiões se achar que o Mourinha vai gostar, reescrevo o guião até achar que ele vai ficar insultado», explicou com ironia.

O seu próximo projeto, novamente com António Pedro Vasconcelos, estreia já no final do próximo mês e chama-se Amor Impossível.

 

--
MIGUEL GUILHERME

Para o ator português que já tinha sido Evaristo no Pátio das Cantigas (personagem de que ainda se lembra de vez em quando), esta é uma comédia «mais intimista, o outro era mais uma orquestra sinfónica e esta diferença entre filmes é muito interessante».

Sobre gravar em família: «houve química entre a família inteira e adorei os diálogos com muita interação. São mais difíceis e desafiantes de fazer mas quando resultam dão-me uma grande satisfação a um ator». Miguel Guilherme deixou ainda um recado ao eterno dilema 'críticos' e 'popularidade', ao explicar: «só participo em filmes que tenham alguma qualidade inerente e tenham algum mérito».

Segue-se em 2016 o 3º clássico que Leonel Vieira vai adaptar, A Canção de Lisboa, que Miguel Guilherme ainda não sabe se consegue fazer. «Quero muito participar nos três filmes mas ando com uma agenda muito preenchida e não vai ser fácil», explicou.

O ator está a estrear agora uma comédia com o Bruno Nogueira no Casino Estoril chamada O Meu Vizinho Judeu e participa na novela Coração D'Ouro. «Estou morto de cansaço por ser um período tão activo mas muito feliz pelo resultado da peça», disse o ator.

E qual a dificuldade de conciliar tudo? «É muito difícil conciliar novela e peça mas quando estamos motivados é incrível ver que o corpo aguenta um pouco mais do que pensávamos. Isso é que é engraçado. Têm sido tempos desafiantes mas compensadores. Posso estar dois meses ou três a fazer muito pouca coisa como posso estar muito tempo sem parar, embora não goste de fazer projetos ao mesmo tempo. Preferia sempre fazer projeto a projeto, até pelo meu corpo.»

Sobre os críticos e o cinema português em geral o ator também lançou farpas: «O que é um bocadinho parolo no nosso meio é que se misturam alhos com bugalhos. São parolos habituais, mas não era preciso. Eu já filmei com o Manoel de Oliveira, aliás foi o realizador com quem filmei mais e ele nunca se chatearia de eu estar a fazer O Leão da Estrela ou outra comédia assim. Se calhar até achava graça. O Manoel era um senhor e percebia que uma coisa não tem a ver com a outra. Há vários tipos de público, vários tipos de cinema, as pessoas intercruzam-se. Eu sou ator e tenho tendência a fazer coisas quando acho que são engraçadas ou mesmo boas, desde que não sejam ofensivas contra as minhas ideias estruturais. Eu vivo disto e para isto.»

Spectre: 'Farewell Mr. Bond, but not goodbye*'

James Bond está de volta pela mão de Sam Mendes neste intenso ‘Spectre’. Daniel Craig parece dizer assim adeus à personagem que reinventou em quatro filmes.

 

 

Se há frase que tem sido dita por Bond Girls e maus da fita nos 24 filmes de 007 é precisamente «Adeus, Mr. Bond». Esta em particular dirigida a Roger Moore vem do filme ‘Missão Ultra-Secreta’, de 1981. Daniel Craig tornou-se em 2006 (com Casino Royale) o 6º ator a interpretar Bond, James Bond, e o primeiro a nascer após o início da saga no cinema (na altura, 1968, Sean Connery era o Bond de serviço). Quase uma década depois estreia hoje Spectre, o 4º filme e, tudo indica, o último com Craig mas não o último de 007.

Sam Mendes volta ao leme, depois de uma parceria feliz em críticas e receitas de bilheteira – bateu o recorde absoluto de 007 – com Skyfall, em 2012.

E o que vale Spectre?
É um ‘Spectre-táculo’, como dizia a revista Variety. Se este é mesmo o último filme para Craig (e vamos evitar os chamados spoilers neste texto), o seu estilo de Bond mais físico e negro (com traumas reais) acaba o percurso épico em grande, nas emoções e em adrenalina, no máximo.

O ator inglês de 47 anos reinventou, em conjunto com a produção (e neste filme ele junta-se inclusive à equipa de produção), a personagem e recentemente admitiu que está na hora de pendurar as armas, os gadgets e a licença para matar.

Spectre é também uma homenagem ao percurso que começou com Dr. No e Sean Connery em 1962 e o filme está repleto de referências à saga que existe há 53 anos no cinema e foi criada em 1953 por Ian Fleming. Há ainda uma clara sensação de fim de ciclo, com os vários amores e vilões que influentes na vida recente de Bond, versão Craig, a serem reavivados por um mau da fita pequeno e tenebroso que oscila entre o simpático e o psicótico (Christoph Waltz).

México, Roma, Marrocos
O novo filme começa na sequência da morte chocante de M (Judy Dench), em Skyfall. Uma mensagem encriptada para Bond desencadeia uma investigação a nome individual sobre uma misteriosa organização criminosa chamada Spectre que começa no México, com Bond a criar o caos para impedir um ataque terrorista.

O novo M (Ralph Fiennes) tenta manter o MI6 em funcionamento numa altura em que um novo chefe nomeado pelo governo britânico quer acabar com o programa dos agentes secretos e apostar na vigilância global. O insubordinado Bond tenta, à revelia da chefia, encontrar forma de destruir a ameaça da Spectre – onde encontra em Hinx (o ex-wrestler Dave Bautista) um rival persistente numa aventura que o leva também por Roma, Áustria e Marrocos.

Se há parte que podia resultar melhor é a história de amor, que podia ser melhor explorada, de Bond, com a líndissima Léa Seydoux. Ela sim uma actriz e personagem com muito para dar.

 

NOVAS PERSONAGENS
Oberhauser - O líder da organização Spectre
(Chistoph Waltz) é um homem bizarro, cheio de truques e manias a fazer lembrar outros vilões míticos.

Lucia
Aos 51 anos, Monica Belucci tornou-se na menos nova (e uma das mais sexys) Bond Girls. Viúva em risco de vida, vai envolver-se com 007.

Madeleine Swann
A francesa Léa Seydoux faz de uma filha de um assassino e a última Bond Girl a entrar no filme. Bela e mortífera, torna-se personagem-chave para Bond.

 

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