Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

E os melhores de 2015 são...

Aqui fica o meu top do ano (dos filmes estreados em Portugal, sem contar com os filmes que estrearam no início do ano e foram protagonistas nos Óscares) - sem ordem em particular:

Mad Max: Estrada da Fúria

Ex Machina

A Ponte dos Espiões

Steve Jobs

Divertida Mente

O Agente da UNCLE

Star Wars

A Família Belier

007 Spectre

Predestinado – Predestination

The Walk

Amy

The Young and Prodigious TS Spivet

 

 

Menções honrosas para:

Evereste, pelos efeitos

Perdido em Marte, pelo Matt Damon em Marte

A Juventude

Morte Limpa – Good Kill

Mínimos

Chappie

 

Filmes já presentes na última edição dos Óscares que estrearam no início do ano e que não incluo na lista por motivos óbvios mas estariam noutra situação (por ordem de preferência):

Birdman

Whiplash

O Meu Nome é Alice

A Teoria de Tudo

Sniper Americano

O Jogo da Imitação

Big Eyes

 

Jobs, rebelde com causa

Steve Jobs - 8/10

 


O melhor filme feito sobre Steve Jobs até ao momento. Danny Boyle e Aaron Sorkin fazem uma parceria perfeita e os vislumbres incríveis a que assistimos dos momentos antes das apresentações de produtos são condensados de forma brilhante. Steve Jobs era abrasivo, exagerado e estava várias vezes errado mas era visionário em vários níveis. A fazer lembrar a personalidade de CR7 mas na questão de se tentar superar sempre, exigir o máximo de si e também dos outros que o acompanham numa missão/visão. O filme capta na perfeição esse espírito ao mesmo tempo que mostrar o ser humano com defeitos e atitudes pouco decentes.

A certa altura Woz diz a Steve, já na parte final do filme, não tens de um ser humano binário, podes ser decente e talentoso ao mesmo tempo. Incrível desempenho de Michael Fassbender. Mesmo sem parecer fisicamente Jobs parece muito nas acções, na intensidade, complexidade como ser humano e determinação. O filme, mesmo sem ter uma estrutura complexa, tem uma intensidade dramática e uma beleza de planos e momentos incrível - Danny Boyle deixa brilhar os belos diálogos de Sorkin e os belíssimos actores em cena.

Fassbender e Winslet têm uma química impressionante - curioso o facto de ambos serem ingleses. Winslet é Joanna Hoffman, responsável de marketing, assessora, confidente e amiga de Steve Jobs, alguém que provavelmente poucos sabiam que existia na vida deste homem famoso mas que o contraria, sofre com ele e por ele. E não só Seth Rogen mostra o seu nível dramático mais elevado (belas discussões com Jobs) como a presença de Jeff Daniels como John Sculley dá uma dimensão mais robusta nas actuações do filme.

A relação com a filha presente por todas as partes destes momentos antes da apresentação de produtos, embora talvez seja exagerada relativamente ao que aconteceu, mostram bem os problemas de Steve com a situação mas também um fundo de bondade que transparece com beleza e simplicidade no filme. As duas miúdas que fazem de Lisa também cumprem, num filme que honra sem pudores e com alguma crueza mas também com poesia e beleza o visionário difícil de aturar (salta à vista a distorção de realidade que por vezes punha em frente ou a crueza com que trata os outros) Steve Jobs.

O filme de Boyle acerta em não recriar as apresentações feitas por Steve mas foca-se nos momentos de tensão anteriores. E se há pecado importante que o filme tem são os exageros na ficção em detrimento da realidade (a chamada liberdade artística) para efeitos dramáticos, podem mostrar mais facilmente a personalidade dele assim mas exageraram bastante, pelo que é explicadado aqui, e é isso que torna o filme menos brilhante - numa personalidade destas era importante haver menos desvios sobre o que aconteceu.

Em certas alturas, por passar muito tempo em bastidores e andar-se sempre a correr contra o tempo e em stress (antes de Steve entrar em cena no palco), o filme faz lembrar Birdman.

Um mecanismo brilhante para criar intensidade dramática e mostrar tanto destas pessoas em tempo real - antes das tais apresentações. Um dos filmes do ano, muito também por ser um belíssimo filme sobre este visionário que mudou tanto em tão pouco tempo. Vislumbres de um visionário com atitude.

Magia Zemeckis no arame

The Walk  - 8/10

 

Que belíssima aventura visual que Robert Zemeckis nos traz, com a sua arte de contar histórias, o entusiasmo contagiante de Joseph Gordon Levitt no arame e na vida e com a magia visual e sensorial que o filme nos consegue transmitir seja por perícia nos efeitos, beleza da vista, como poesia na palavras de Petit. Um belíssimo filme, uma história épica que merece ser bem contada e que ganha uma dimensão diferente após a destruição em 2001 das Torres Gémeas.
O momento de passagem no arame de uma torre para a outra é o momento do filme, repleto de intensidade e twists (é um filme dentro do filme) e tira-nos literalmente o fôlego, torcemos por ele, sofremos por ele, temos tonturas com ele. Uma realização perfeita (mesmo!) e uma actuação à altura. Numa palavra: arrepiante... ah, e bom!

Youth, juventude selada num resort suíço

youth-848x425.jpg

 

O italiano Paolo Sorrentino leva-nos neste belo exercício de velhice - A Juventude - passado num resort de luxo dos Alpes suíços pela mente de dois homens de carreiras cheias mas as incertezas, medos e receios que foram construídos ao longo de uma vida de sucessos incríveis mas também tristezas imperdoáveis. Michael Caine e Harvey Keitel são dois amigos. O inglês é um compositor de sucesso, retirado e amargurado, o americano é um realizador/guionista de sucesso a tentar escrever o seu último guião obra-prima. Entrar pelas angústias pouco explicítas mas incrivelmente profundas destas duas personagens é tão peculiar (a imaginação anda à solta) quanto cativante.

Não falta um mundo de personagens intrigantes no meio deles os dois, desde o actor a estudar para um papel (Paul Dano), passando pela massagista que 'fala' com as mãos e que dança em casa da forma mais graciosa possível, até à prostituta tristonha que faz serviços pelo hotel e, claro, a filha (e assistente - Rachel Weisz) do compositor enganada pelo marido (que curiosamente é o filho do realizador) e que busca encontrar-se e encontrar algum amor do pai (que julga que nunca teve) e de um homem que a faça sentir desejada.

Muito bem filmado e de grande riqueza visual num cenário de beleza natural impressionante, A Juventude permite ver actores memoráveis e carismáticos a contracenar o que, por si só, é uma bela oportunidade. 

 

Um filme simples mas imaginativo q.b. que nos transporta para uma introspecção sobre a velhice no meio da beleza dos Alpes suíços.. PS: até Jane Fonda faz uma aparição!

7/10

«A ‘força’ é forte neste» Star Wars

A saga de Star Wars volta às origens, 32 anos depois, sob o leme de J.J. Abrams e com novos (e velhos) heróis. Este é ‘O Despertar da Força’. Já vi e abordo aqui a experiência... sem spoilers! Em resumo: Não sendo perfeito é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.    >> 7/10

 

 

Poucas experiências e ainda menos sagas de cinema têm este poder avassalador. Passados 32 anos da conclusão da 1ª trilogia de Star Wars, a história que apaixonou várias gerações (foi reposta no cinema retocada digitalmente em 1997) está de volta da forma mais maravilhosa possível: homenageia no tom certo a primeira saga transportando-nos de uma forma que pensávamos já não ser possível para aquele mundo.

Ver ‘O Despertar da Força’ é voltar a ver Star Wars, apesar de agora até estar sob a égide da Disney (George Lucas vendeu a Lucasfilm em 2012). Temos um sentimento raro, mágico até, de quem vê um velho amigo, um avô (em Han Solo, que está de volta em grande) ou um lugar, ambiente e realidade que esteve tão, tão distante, numa galáxia que agora está de volta. Convence. Apaixona. É feito por um apaixonado.  

J.J. Abrams é como um miúdo que tenta aproveitar ao máximo o seu brinquedo preferido e o seu entusiasmo transborda do novo filme para as cadeiras da sala de cinema. Por ironia do destino é quando um apaixonado da saga pega nela das mãos do seu criador, George Lucas, que a aproxima da primeira trilogia.

Lucas quis fazer diferente quando voltou à saga, 16 anos depois de O Regresso do Jedi (1983). O 2ª trilogia a surgir, lançada entre 1999 e 2005, contou a história que antecedia a 1ª trilogia, os antecedentes de temível Dark Vader - episódios I, II e III. Mas essa 2ª trilogia afasta-se em demasia do ambiente dos primeiros filmes, chega a parecer uma saga diferente, menos verosímil e com personagens mais próximas da animação - notam-se em demasia os efeitos especiais.

Nesta crítica procuramos contar pouco da história e mais da experiência – é fulcral evitar os chamados ‘spoilers’. A expetativa para a nova trilogia é gigantesca (são esperados recordes inéditos), depois de um marketing forte e de um regresso tão desejado.

 

Regresso ao passado

O homem que trouxe de volta Star Trek teve a ajuda preciosa do guionista Lawrence Kasdan, de ‘O Império Contra-Ataca’ e ‘O Regresso do Jedi’, bem como do talentoso Michael Arndt (de Little Miss Sunshine e Toy Story 3). O novo filme, não sendo perfeito, é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.

Embora esteja repleto de momentos, objetos, naves e regressos desejados (Han Solo, Leia, C3PO, a mítica nave Millenium Falcon), esta é uma história passada vários anos depois da morte de Darth Vader e do fim do Império. Agora uma nova força do mal está pronta para tentar mandar.

Este Despertar da Força quase podia mesmo ter o nome do 1º filme da 1ª trilogia que estreou em 1977 (IV capítulo), Uma Nova Esperança – que conquistou, na altura, seis Óscares. Tem os mesmos ingredientes - Luke Skywalker e Rey entram no início de cada uma das duas sagas de forma parecida, até no ambiente: um planeta-deserto. Se, por um lado, é eficaz e inclui cenas emocionais para os fãs antigos, por outro chega a parecer um remake dessa saga que apaixonou tantos e está pronta para apaixonar as novas gerações que não conhecem este ‘mundo’.

A maior crítica a fazer é a colagem por vezes exagerada ao primeiro filme. Também podia e devia ter um pouco menos de frases-chavões (ou podiam passar mais despercebidas) e gerir melhor as emoções das personagens - falta tempo para chorar a morte dos desaparecidos ou recordar o passado. Mas esse colar ao passado é também um dos seus trunfos. Ao contrário dos episódios I, II e III, é memorável, apaixonante e digno do gigantesco legado. Como diria Darth Vader, «a Força é forte neste».

 

PERSONAGENS

O temível Kylo Ren
O mau da fita é este Kylo Ren, uma espécie de sucessor/seguidor de Darth Vader. E mais não dizemos. É ver na sala. O actor que o interpreta, Adam Driver (que brilhou e mostrou versatilidade e um lado negro em Enquanto Somos Jovens), tem tudo para fazer de Kylo uma personagem icónica.

O troca tintas Finn - (SPOILER ALERT)
Finn (John Boyega) é um Stormtrooper em crise existencial que se junta ao piloto exímio Poe (Oscar Isaac). Boyega não está mal no papel, o maior problema é a rapidez com que na história tão depressa está desejoso de fugir para porto seguro e longe da confusão (só pensando em si) como no momento seguinte já só quer ser herói. Cola um pouco mal a mudança drástica. Poe é uma personagem que promete mas tira todo o proveito de Oscar Isaac - que esteve bem melhor em Ex Machina.

A ‘sucateira’ Rey
A atriz Daisy Ridley é a maior surpresa do filme. Ela é Rey, uma sucateira de um planeta deserto com desafios incríveis... É a ela que o droide da Resistência BB-8, uma espécie de versão mais moderna do divertido R2-D2 (que também aparece), mais vai servir. O filme claramente tenta quebrar as falhas em igualdade de géneros (e de raças, com a presença de Finn, um Stormtropper negro) da primeira trilogia, onde só Leia tinha falas. Agora até uma mulher chefe dos Stormtroppers existe. Não faltam mulheres extra-terrestres importantes no enredo. A verdade é que não parece forçado e no caso de Rey é uma mais valia para o filme. Resulta.

Han Solo (e Chewbacca)
Harrison Ford (o único dos actores da primeira trilogia que teve uma carreira completa no cinema além de Star Wars) está mais velho, tal como Han, mas em forma e não lhe faltam dilemas, com Leia (agora General e não princesa) à mistura. Han Solo é a personagem mais convincente e memorável no início desta nova trilogia.

 

Algumas curiosidades da 1ª trilogia (IV, V, VI):

- O som das TIE Fighters, as naves de caça do Império, é uma mistura entre o som dos gritos dos elefantes e um carro a derrapar;

- A ideia da personagem Chewbacca foi de George Lucas, que se inspirou no seu próprio cão, chamado Indiana. O nome serviu também de inspiração a Spielberg para usar o nome Indiana Jones;

- Alec Guinness, o ator que foi Obi-Wan Kenobi, estava reticente em participar, dizia que parecia ser um conto de fadas de má qualidade, foi convencido com um contrato para receber 2% das receitas de bilheteira. Resultado? Lucrou mais de 95 milhões de dólares.

Star Wars do princípio - intimidade intergaláctica

Lembro-me bem do meu fascínio avassalador pela saga Star Wars - na altura ainda Guerra das Estrelas - assim que vi a saga, algures para o fim da década de 80. Vi em VHS os três episódios. Era puto para ter os meus sete anos. Lembro-me do velho sofá de família me acolher naqueles minutos a ver magia no pequeno ecrã. Acho que nunca me tinha sentido tão próximo do espaço e de um mundo capaz de ir tão longe quanto a minha imaginação. Lembro-me de pensar: "Como é que a existência de um filme assim não passa nas notícias. Isto é genial. Devia ser obrigatório ver este filme". Lembro-me de sentir que era uma descoberta incrível aquela que eu tinha feito ao ver o filme e de serem poucas pessoas que o valorizavam como eu. Mas sempre que encontrava outro apaixonado ficava eufórico. Como se de uma religião se tratasse, tentava convencer os meus pais e colegas da Primária do Bairro da Ponte a embarcarem numa história intergaláctica distante no espaço mas tão verosímil, entusiasmante e repleta de sensações novas para um puto de sete ou oito anos. Mais tarde lembro-me de ficar chocado quando alguém não tinha visto a trilogia. E segundos depois já estava com um: "tens de ver! É inesquecível". Lembro-me de emprestar as preciosas três K7's VHS que guardava religiosamente no lugar de honra da minha colecção de filmes à minha namorada - actual mulher - quando começámos a namorar. Ela não tinha a certeza se tinha visto todos os filmes. Tinha de mudar isso. Mas infelizmente não fiz dela uma devota desta religião/saga repleta de seres estranhos, de uma força inerente que tudo controla, de um império do mal que tem origem em pessoas que já foram boas e em personagens verdadeiramente apaixonantes em situações complexas e moralmente ambíguas. Daqui a pouco vou ver o regresso da saga, com a esperança que seja mais fiel à primeira trilogia (IV, V e VI) e com a mesma naturalidade/intimidade intergaláctica.

Nesta paixão um dos momentos mais importantes foi quando a saga foi reposta no cinema em 1997, remasterizada digitalmente (com efeitos melhorados). Finalmente consegui ver tudo no cinema, como devia ter sido visto logo pela primeira vez. Andava em pulgas para que estreasse e, depois, confesso que me voltei a emocionar com as cenas mais memoráveis.

O Leão da Estrela: é uma família de leões, com certeza

A 2ª adaptação de um clássico da comédia nacional de Leonel Vieira é esta O Leão da Estrela, que estreia hoje por todo o país. Já sem referência ao Sporting, falámos com o guionista Tiago R. Santos e com o ator Miguel Guilherme (o Anastácio) sobre esta comédia «mais intimista» e sobre... os críticos 'eruditos'. >> 6/10

 

363085.jpg

 

 

Cerca de 600.000 espectadores viram O Pátio das Cantigas, versão de 2015, um recorde para os filmes portugueses nos tempos recentes mas quem nem por isso salva o filme - uma espécie de sketches de humor aglutinados. Agora chega ao cinema a segunda adaptação de Leonel Vieira de um clássico nacional.

O melhor conselho a quem viu os filmes antigos e vê agora estes? Ignorem o nome, estes não são remakes e mais vale serem vistos como filme novos e com relação ténue com os antigos-

O Leão da Estrela deixa de lado os leões de Alvalade e o FC Porto-Sporting, do filme de 1947, para se concentrar no futebol local da 3ª divisão (o que também tem a sua piada - são rivalidades diferentes mas igualmente à flor da pele). Miguel Guilherme é Anastácio, fanático pelo clube Leões de Alcochete e com um único objetivo, ir ver o importante duelo com os Barrancos do Inferno ao Alentejo.

Com menos personagens e bem mais complexo e cativante do que O Pátio das Cantigas, nesta comédia de costumes tudo gira à volta de uma família típica portuguesa – não falta o chico-espertismo e desenrascaço entre as personagens peculiares e com carisma próprio.

Tiago R. Santos, argumentista conhecido por colaborar desde Call Girl (2007) com António Pedro Vasconcelos, foi o responsável por escrever agora o guião adaptado. Ao Destak o guionista explica que «a premissa é a mesma, um tipo quer ver um jogo de futebol, tem de arranjar onde ficar e cria uma enorme mentira à volta disso porque são uma família de aldrabões, que está disposta a mentir para ficar à borla em casa de alguém».

«Era difícil fazer uma adaptação literal do filme, porque há muita coisa que já não ‘cola’, daí explorarmos o sentimento mais local. Isto é comédia-homenagem ao anterior filme, que tem a sua própria narrativa e os seus próprios diálogos», explica o experiente guionista, chamado agora por Leonel Vieira e que não escreveu o guião de O Pátio das Cantigas.

No centro da história, para além do fervoroso adepto dos Leões de Alcochete determinado em que a estrela brasileira da equipa (Divanei, um peculiar avançado amador que também é 'caixa' de supermercado) jogue, está a mulher de Anastácio (Manuela Couto), triste pelo marido se ter esquecido do aniversário de casamento, a filha popular no Facebook (Sara Matos) que tenta arranjar através de um amigo rico casa no Alentejo para a família ficar e a filha ‘rato de biblioteca’ e incompreendida (Ana Varela).

Não falta a exuberante sobrinha alentejana que vive com a família (Dânia Neto) e o namorado mecânico (Aldo Lima) que arranja um táxi para a agitada viagem pelo Alentejo, onde a família vai conhecer o adepto fanático pelo Barrancos do Inferno (José Raposo) e a rica e snob dona da casa onde esperam ficar (Alexandra Lencastre) e o seu filho (André Nunes). É na road trip até ao Alentejo e a bordo de um táxi emprestado de decorrem os melhores momentos de uma comédia leve, por vezes exagerada, mas eficaz na hora de fazer sorrir e entreter.

Entretanto o filme criou já polémica. O crítico do Público Jorge Mourinha disse que «nunca» se sentiu «tão insultado por um filme» e não olhou a palavras para atacar o que diz ser "um chorrilho de disparates filmado às três pancadas". Depois da crítica não ter sido convidada para ver O Pátio das Cantigas versão 2015, para o Leão da Estrela foi e Mourinho não olhou a argumentos para destruir. Ler a sua crítica é ler um exagero pegado. É difícil ver o filme e reconhecê-lo na crítica 'bota abaixo' de Mourinha. 

Em resposta, Tiago R. Santos que também é crítico de cinema mas da Sábado, diz que o que é verdadeiramente importante é que uma comédia «divirta o público». Sobre os chamados críticos ‘eruditos’: «escrevem uns para os outros».

«Uso o Jorge Mourinha como referência. Se ele gosta muito de um filme eu provavelmente não vou ver. Quando escrevo guiões se achar que o Mourinha vai gostar, reescrevo o guião até achar que ele vai ficar insultado», explicou com ironia.

O seu próximo projeto, novamente com António Pedro Vasconcelos, estreia já no final do próximo mês e chama-se Amor Impossível.

 

--
MIGUEL GUILHERME

Para o ator português que já tinha sido Evaristo no Pátio das Cantigas (personagem de que ainda se lembra de vez em quando), esta é uma comédia «mais intimista, o outro era mais uma orquestra sinfónica e esta diferença entre filmes é muito interessante».

Sobre gravar em família: «houve química entre a família inteira e adorei os diálogos com muita interação. São mais difíceis e desafiantes de fazer mas quando resultam dão-me uma grande satisfação a um ator». Miguel Guilherme deixou ainda um recado ao eterno dilema 'críticos' e 'popularidade', ao explicar: «só participo em filmes que tenham alguma qualidade inerente e tenham algum mérito».

Segue-se em 2016 o 3º clássico que Leonel Vieira vai adaptar, A Canção de Lisboa, que Miguel Guilherme ainda não sabe se consegue fazer. «Quero muito participar nos três filmes mas ando com uma agenda muito preenchida e não vai ser fácil», explicou.

O ator está a estrear agora uma comédia com o Bruno Nogueira no Casino Estoril chamada O Meu Vizinho Judeu e participa na novela Coração D'Ouro. «Estou morto de cansaço por ser um período tão activo mas muito feliz pelo resultado da peça», disse o ator.

E qual a dificuldade de conciliar tudo? «É muito difícil conciliar novela e peça mas quando estamos motivados é incrível ver que o corpo aguenta um pouco mais do que pensávamos. Isso é que é engraçado. Têm sido tempos desafiantes mas compensadores. Posso estar dois meses ou três a fazer muito pouca coisa como posso estar muito tempo sem parar, embora não goste de fazer projetos ao mesmo tempo. Preferia sempre fazer projeto a projeto, até pelo meu corpo.»

Sobre os críticos e o cinema português em geral o ator também lançou farpas: «O que é um bocadinho parolo no nosso meio é que se misturam alhos com bugalhos. São parolos habituais, mas não era preciso. Eu já filmei com o Manoel de Oliveira, aliás foi o realizador com quem filmei mais e ele nunca se chatearia de eu estar a fazer O Leão da Estrela ou outra comédia assim. Se calhar até achava graça. O Manoel era um senhor e percebia que uma coisa não tem a ver com a outra. Há vários tipos de público, vários tipos de cinema, as pessoas intercruzam-se. Eu sou ator e tenho tendência a fazer coisas quando acho que são engraçadas ou mesmo boas, desde que não sejam ofensivas contra as minhas ideias estruturais. Eu vivo disto e para isto.»

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D