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A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

roma

Roma. Alfonso Cuáron tem uma qualidade rara no cinema: não tem pressa, mas cumpre na hora de nos dar algo tão simples quanto sensível e poderoso. Os seus filmes têm pequenos momentos raros que 'fazem o filme' e dão dimensão a tudo o que vimos antes. A sua realização não tem medo de experimentar, em Roma, há pouco planos aproximados e vivemos algo distantes, com raras e especiais excepções. Mais: acompanhamos uma empregada de limpeza mexicana como um paparazzo que a segue quase sempre de forma lateral. Há poucos cortes (aparentes) mas, ainda assim, há sempre uma boa sensação de ritmo que nos mantém em cena e interessados (filmes tugas de autor tirem notas). E depois há os momentos stressantes ou puramente especiais, onde se revelam os sentimentos e que nos dão tanto das personagens como de nós mesmos (cada pessoa vai sentir o filme de forma bem diferente, dependendo da vida que tem e do momento em que está - o mesmo acontece com pérolas como Boyhood). Por isso é tão bom ver Roma, mesmo que quem vir 30 minutos ou uma hora, não vai perceber da missa metade e mesmo que não seja um filme perfeito ou sempre intenso. Os momentos chave? A cena do telhado em que criança e 'criada' se deitam, fingindo estarem mortos; a cena da violência + a fuga para o hospital; mas o auge é o nascimento da criança e, mais tarde, o salvamento dos miúdos impertinentes e consequente expulsar de demónios que a atormentavam. Há tanto sumo emocional e humano no filme de Cuáron, mesmo que em boa parte do filme estejamos apenas a beber aos poucos aquela realidade tão diferente da nossa. Obrigado, siñor Cuáron.

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Tudo aquilo que os Sopranos foram e são...

Esta semana a série Sopranos cumpre 20 anos desde a sua estreia. Marcou uma era de ouro para as séries de televisão (que depois se tornaram apenas séries que podem ser vistas em qualquer plataforma). Quando chegou era arrojada, politicamente incorreta, com personagens ao estilo cinema, que tanto podíamos odiar como amar. Um protagonista gordo, careca e enorme hoje não seria pouco comum, mas não era nisso que Tony Soprano - interpretado com a indiferença, brutalidade, violência, crueza, assombro, sentimentalidade (fui ver, existe mesmo) e coração aberto exigidas pelo malogrado James Gandolfini - era brilhante e diferente. O grande Tony distinguia-se, isso sim, precisamente por ser um assassino sem escrupúlos com problemas reais que os quais o comum dos mortais também de pode, em parte, identificar. E só por isso ficavamos naquele conflito entre amá-lo ou detestá-lo, dependendo das circunstâncias. Essa mesma qualidade, nada pacífica nem aceitável nos tempos atuais, dos paradoxos humanos de figuras (neste caso ficcionais) nada consensuais, também se viu em Frank Underwood e em House of Carfs, provavelmente o último dos moicanos a ter um público vasto e sem ter medo do politicamente incorreto. 

Sinto falta de Tony Soprano, era uma personagem tão diferente de um Seinfeld, dos protagonistas de Friends ou do Todos Gostam do Raymond, mas por quem tínhamos um carinho igualmente especial, mesmo que lhe desejassemos mal em certas circunstâncias. 

the-sopranos-2_7524.jpg

 

Big Tony, em citações:

"I can't find Pussy anywhere."

 

Tony: "Uncle June, how was Boca?"
Junior: "Wonderful. I don't go down enough."
Carmela: "That's not what I heard."

 

"Hey, I don't even let anyone wag their finger in my face."

 

"You don't s**t where you eat. And you really don't s**t where I eat."

 

“Those who want respect, give respect.”

 

“Log off. That ‘cookies’ sh-t makes me nervous.”

 

“You got any idea what my life would be worth if certain people found out I checked into a laughing academy?”

 

“All due respect, you got no f—in’ idea what it’s like to be Number One. Every decision you make affects every facet of every other f—in’ thing. It’s too much to deal with almost. And in the end you’re completely alone with it all.”

 

“A wrong decision is better than indecision.”

 

“It’s good to be in something from the ground floor. I came too late for that and I know. But lately, I’m getting the feeling that I came in at the end. The best is over.”

 

"They say every day’s a gift, but why does it have to be a pair of socks?”

 

“When you’re married, you’ll understand the importance of fresh produce.”

 

“This is gonna sound stupid, but I saw at one point that our mothers are … bus drivers. No, they are the bus. See, they’re the vehicle that gets us here. They drop us off and go on their way. They continue on their journey. And the problem is that we keep tryin’ to get back on the bus, instead of just lettin’ it go.”

 

You know when I was depressed I said I didn’t want to live?  Well, I’ll tell you something — I didn’t want to die

 

I’m like King Midas in reverse here. Everything I touch turns to shit.

 

“I find I have to be the sad clown: laughing on the outside, crying on the inside.”

 

“If you can quote the rules, then you can obey them.”

 

There’s an old Italian saying: you f–k up once, you lose two teeth.”

 

“What kind of person can I be, where his own mother wants him dead?”

 

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