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A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

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«A ‘força’ é forte neste» Star Wars

A saga de Star Wars volta às origens, 32 anos depois, sob o leme de J.J. Abrams e com novos (e velhos) heróis. Este é ‘O Despertar da Força’. Já vi e abordo aqui a experiência... sem spoilers! Em resumo: Não sendo perfeito é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.    >> 7/10

 

 

Poucas experiências e ainda menos sagas de cinema têm este poder avassalador. Passados 32 anos da conclusão da 1ª trilogia de Star Wars, a história que apaixonou várias gerações (foi reposta no cinema retocada digitalmente em 1997) está de volta da forma mais maravilhosa possível: homenageia no tom certo a primeira saga transportando-nos de uma forma que pensávamos já não ser possível para aquele mundo.

Ver ‘O Despertar da Força’ é voltar a ver Star Wars, apesar de agora até estar sob a égide da Disney (George Lucas vendeu a Lucasfilm em 2012). Temos um sentimento raro, mágico até, de quem vê um velho amigo, um avô (em Han Solo, que está de volta em grande) ou um lugar, ambiente e realidade que esteve tão, tão distante, numa galáxia que agora está de volta. Convence. Apaixona. É feito por um apaixonado.  

J.J. Abrams é como um miúdo que tenta aproveitar ao máximo o seu brinquedo preferido e o seu entusiasmo transborda do novo filme para as cadeiras da sala de cinema. Por ironia do destino é quando um apaixonado da saga pega nela das mãos do seu criador, George Lucas, que a aproxima da primeira trilogia.

Lucas quis fazer diferente quando voltou à saga, 16 anos depois de O Regresso do Jedi (1983). O 2ª trilogia a surgir, lançada entre 1999 e 2005, contou a história que antecedia a 1ª trilogia, os antecedentes de temível Dark Vader - episódios I, II e III. Mas essa 2ª trilogia afasta-se em demasia do ambiente dos primeiros filmes, chega a parecer uma saga diferente, menos verosímil e com personagens mais próximas da animação - notam-se em demasia os efeitos especiais.

Nesta crítica procuramos contar pouco da história e mais da experiência – é fulcral evitar os chamados ‘spoilers’. A expetativa para a nova trilogia é gigantesca (são esperados recordes inéditos), depois de um marketing forte e de um regresso tão desejado.

 

Regresso ao passado

O homem que trouxe de volta Star Trek teve a ajuda preciosa do guionista Lawrence Kasdan, de ‘O Império Contra-Ataca’ e ‘O Regresso do Jedi’, bem como do talentoso Michael Arndt (de Little Miss Sunshine e Toy Story 3). O novo filme, não sendo perfeito, é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.

Embora esteja repleto de momentos, objetos, naves e regressos desejados (Han Solo, Leia, C3PO, a mítica nave Millenium Falcon), esta é uma história passada vários anos depois da morte de Darth Vader e do fim do Império. Agora uma nova força do mal está pronta para tentar mandar.

Este Despertar da Força quase podia mesmo ter o nome do 1º filme da 1ª trilogia que estreou em 1977 (IV capítulo), Uma Nova Esperança – que conquistou, na altura, seis Óscares. Tem os mesmos ingredientes - Luke Skywalker e Rey entram no início de cada uma das duas sagas de forma parecida, até no ambiente: um planeta-deserto. Se, por um lado, é eficaz e inclui cenas emocionais para os fãs antigos, por outro chega a parecer um remake dessa saga que apaixonou tantos e está pronta para apaixonar as novas gerações que não conhecem este ‘mundo’.

A maior crítica a fazer é a colagem por vezes exagerada ao primeiro filme. Também podia e devia ter um pouco menos de frases-chavões (ou podiam passar mais despercebidas) e gerir melhor as emoções das personagens - falta tempo para chorar a morte dos desaparecidos ou recordar o passado. Mas esse colar ao passado é também um dos seus trunfos. Ao contrário dos episódios I, II e III, é memorável, apaixonante e digno do gigantesco legado. Como diria Darth Vader, «a Força é forte neste».

 

PERSONAGENS

O temível Kylo Ren
O mau da fita é este Kylo Ren, uma espécie de sucessor/seguidor de Darth Vader. E mais não dizemos. É ver na sala. O actor que o interpreta, Adam Driver (que brilhou e mostrou versatilidade e um lado negro em Enquanto Somos Jovens), tem tudo para fazer de Kylo uma personagem icónica.

O troca tintas Finn - (SPOILER ALERT)
Finn (John Boyega) é um Stormtrooper em crise existencial que se junta ao piloto exímio Poe (Oscar Isaac). Boyega não está mal no papel, o maior problema é a rapidez com que na história tão depressa está desejoso de fugir para porto seguro e longe da confusão (só pensando em si) como no momento seguinte já só quer ser herói. Cola um pouco mal a mudança drástica. Poe é uma personagem que promete mas tira todo o proveito de Oscar Isaac - que esteve bem melhor em Ex Machina.

A ‘sucateira’ Rey
A atriz Daisy Ridley é a maior surpresa do filme. Ela é Rey, uma sucateira de um planeta deserto com desafios incríveis... É a ela que o droide da Resistência BB-8, uma espécie de versão mais moderna do divertido R2-D2 (que também aparece), mais vai servir. O filme claramente tenta quebrar as falhas em igualdade de géneros (e de raças, com a presença de Finn, um Stormtropper negro) da primeira trilogia, onde só Leia tinha falas. Agora até uma mulher chefe dos Stormtroppers existe. Não faltam mulheres extra-terrestres importantes no enredo. A verdade é que não parece forçado e no caso de Rey é uma mais valia para o filme. Resulta.

Han Solo (e Chewbacca)
Harrison Ford (o único dos actores da primeira trilogia que teve uma carreira completa no cinema além de Star Wars) está mais velho, tal como Han, mas em forma e não lhe faltam dilemas, com Leia (agora General e não princesa) à mistura. Han Solo é a personagem mais convincente e memorável no início desta nova trilogia.

 

Algumas curiosidades da 1ª trilogia (IV, V, VI):

- O som das TIE Fighters, as naves de caça do Império, é uma mistura entre o som dos gritos dos elefantes e um carro a derrapar;

- A ideia da personagem Chewbacca foi de George Lucas, que se inspirou no seu próprio cão, chamado Indiana. O nome serviu também de inspiração a Spielberg para usar o nome Indiana Jones;

- Alec Guinness, o ator que foi Obi-Wan Kenobi, estava reticente em participar, dizia que parecia ser um conto de fadas de má qualidade, foi convencido com um contrato para receber 2% das receitas de bilheteira. Resultado? Lucrou mais de 95 milhões de dólares.

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