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A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

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O Leão da Estrela: é uma família de leões, com certeza

A 2ª adaptação de um clássico da comédia nacional de Leonel Vieira é esta O Leão da Estrela, que estreia hoje por todo o país. Já sem referência ao Sporting, falámos com o guionista Tiago R. Santos e com o ator Miguel Guilherme (o Anastácio) sobre esta comédia «mais intimista» e sobre... os críticos 'eruditos'. >> 6/10

 

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Cerca de 600.000 espectadores viram O Pátio das Cantigas, versão de 2015, um recorde para os filmes portugueses nos tempos recentes mas quem nem por isso salva o filme - uma espécie de sketches de humor aglutinados. Agora chega ao cinema a segunda adaptação de Leonel Vieira de um clássico nacional.

O melhor conselho a quem viu os filmes antigos e vê agora estes? Ignorem o nome, estes não são remakes e mais vale serem vistos como filme novos e com relação ténue com os antigos-

O Leão da Estrela deixa de lado os leões de Alvalade e o FC Porto-Sporting, do filme de 1947, para se concentrar no futebol local da 3ª divisão (o que também tem a sua piada - são rivalidades diferentes mas igualmente à flor da pele). Miguel Guilherme é Anastácio, fanático pelo clube Leões de Alcochete e com um único objetivo, ir ver o importante duelo com os Barrancos do Inferno ao Alentejo.

Com menos personagens e bem mais complexo e cativante do que O Pátio das Cantigas, nesta comédia de costumes tudo gira à volta de uma família típica portuguesa – não falta o chico-espertismo e desenrascaço entre as personagens peculiares e com carisma próprio.

Tiago R. Santos, argumentista conhecido por colaborar desde Call Girl (2007) com António Pedro Vasconcelos, foi o responsável por escrever agora o guião adaptado. Ao Destak o guionista explica que «a premissa é a mesma, um tipo quer ver um jogo de futebol, tem de arranjar onde ficar e cria uma enorme mentira à volta disso porque são uma família de aldrabões, que está disposta a mentir para ficar à borla em casa de alguém».

«Era difícil fazer uma adaptação literal do filme, porque há muita coisa que já não ‘cola’, daí explorarmos o sentimento mais local. Isto é comédia-homenagem ao anterior filme, que tem a sua própria narrativa e os seus próprios diálogos», explica o experiente guionista, chamado agora por Leonel Vieira e que não escreveu o guião de O Pátio das Cantigas.

No centro da história, para além do fervoroso adepto dos Leões de Alcochete determinado em que a estrela brasileira da equipa (Divanei, um peculiar avançado amador que também é 'caixa' de supermercado) jogue, está a mulher de Anastácio (Manuela Couto), triste pelo marido se ter esquecido do aniversário de casamento, a filha popular no Facebook (Sara Matos) que tenta arranjar através de um amigo rico casa no Alentejo para a família ficar e a filha ‘rato de biblioteca’ e incompreendida (Ana Varela).

Não falta a exuberante sobrinha alentejana que vive com a família (Dânia Neto) e o namorado mecânico (Aldo Lima) que arranja um táxi para a agitada viagem pelo Alentejo, onde a família vai conhecer o adepto fanático pelo Barrancos do Inferno (José Raposo) e a rica e snob dona da casa onde esperam ficar (Alexandra Lencastre) e o seu filho (André Nunes). É na road trip até ao Alentejo e a bordo de um táxi emprestado de decorrem os melhores momentos de uma comédia leve, por vezes exagerada, mas eficaz na hora de fazer sorrir e entreter.

Entretanto o filme criou já polémica. O crítico do Público Jorge Mourinha disse que «nunca» se sentiu «tão insultado por um filme» e não olhou a palavras para atacar o que diz ser "um chorrilho de disparates filmado às três pancadas". Depois da crítica não ter sido convidada para ver O Pátio das Cantigas versão 2015, para o Leão da Estrela foi e Mourinho não olhou a argumentos para destruir. Ler a sua crítica é ler um exagero pegado. É difícil ver o filme e reconhecê-lo na crítica 'bota abaixo' de Mourinha. 

Em resposta, Tiago R. Santos que também é crítico de cinema mas da Sábado, diz que o que é verdadeiramente importante é que uma comédia «divirta o público». Sobre os chamados críticos ‘eruditos’: «escrevem uns para os outros».

«Uso o Jorge Mourinha como referência. Se ele gosta muito de um filme eu provavelmente não vou ver. Quando escrevo guiões se achar que o Mourinha vai gostar, reescrevo o guião até achar que ele vai ficar insultado», explicou com ironia.

O seu próximo projeto, novamente com António Pedro Vasconcelos, estreia já no final do próximo mês e chama-se Amor Impossível.

 

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MIGUEL GUILHERME

Para o ator português que já tinha sido Evaristo no Pátio das Cantigas (personagem de que ainda se lembra de vez em quando), esta é uma comédia «mais intimista, o outro era mais uma orquestra sinfónica e esta diferença entre filmes é muito interessante».

Sobre gravar em família: «houve química entre a família inteira e adorei os diálogos com muita interação. São mais difíceis e desafiantes de fazer mas quando resultam dão-me uma grande satisfação a um ator». Miguel Guilherme deixou ainda um recado ao eterno dilema 'críticos' e 'popularidade', ao explicar: «só participo em filmes que tenham alguma qualidade inerente e tenham algum mérito».

Segue-se em 2016 o 3º clássico que Leonel Vieira vai adaptar, A Canção de Lisboa, que Miguel Guilherme ainda não sabe se consegue fazer. «Quero muito participar nos três filmes mas ando com uma agenda muito preenchida e não vai ser fácil», explicou.

O ator está a estrear agora uma comédia com o Bruno Nogueira no Casino Estoril chamada O Meu Vizinho Judeu e participa na novela Coração D'Ouro. «Estou morto de cansaço por ser um período tão activo mas muito feliz pelo resultado da peça», disse o ator.

E qual a dificuldade de conciliar tudo? «É muito difícil conciliar novela e peça mas quando estamos motivados é incrível ver que o corpo aguenta um pouco mais do que pensávamos. Isso é que é engraçado. Têm sido tempos desafiantes mas compensadores. Posso estar dois meses ou três a fazer muito pouca coisa como posso estar muito tempo sem parar, embora não goste de fazer projetos ao mesmo tempo. Preferia sempre fazer projeto a projeto, até pelo meu corpo.»

Sobre os críticos e o cinema português em geral o ator também lançou farpas: «O que é um bocadinho parolo no nosso meio é que se misturam alhos com bugalhos. São parolos habituais, mas não era preciso. Eu já filmei com o Manoel de Oliveira, aliás foi o realizador com quem filmei mais e ele nunca se chatearia de eu estar a fazer O Leão da Estrela ou outra comédia assim. Se calhar até achava graça. O Manoel era um senhor e percebia que uma coisa não tem a ver com a outra. Há vários tipos de público, vários tipos de cinema, as pessoas intercruzam-se. Eu sou ator e tenho tendência a fazer coisas quando acho que são engraçadas ou mesmo boas, desde que não sejam ofensivas contra as minhas ideias estruturais. Eu vivo disto e para isto.»

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