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A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

A Lanterna Mágica

o cinema começa com a lanterna mágica.

E os melhores de 2015 são...

Aqui fica o meu top do ano (dos filmes estreados em Portugal, sem contar com os filmes que estrearam no início do ano e foram protagonistas nos Óscares) - sem ordem em particular:

Mad Max: Estrada da Fúria

Ex Machina

A Ponte dos Espiões

Steve Jobs

Divertida Mente

O Agente da UNCLE

Star Wars

A Família Belier

007 Spectre

Predestinado – Predestination

The Walk

Amy

The Young and Prodigious TS Spivet

 

 

Menções honrosas para:

Evereste, pelos efeitos

Perdido em Marte, pelo Matt Damon em Marte

A Juventude

Morte Limpa – Good Kill

Mínimos

Chappie

 

Filmes já presentes na última edição dos Óscares que estrearam no início do ano e que não incluo na lista por motivos óbvios mas estariam noutra situação (por ordem de preferência):

Birdman

Whiplash

O Meu Nome é Alice

A Teoria de Tudo

Sniper Americano

O Jogo da Imitação

Big Eyes

 

«A ‘força’ é forte neste» Star Wars

A saga de Star Wars volta às origens, 32 anos depois, sob o leme de J.J. Abrams e com novos (e velhos) heróis. Este é ‘O Despertar da Força’. Já vi e abordo aqui a experiência... sem spoilers! Em resumo: Não sendo perfeito é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.    >> 7/10

 

 

Poucas experiências e ainda menos sagas de cinema têm este poder avassalador. Passados 32 anos da conclusão da 1ª trilogia de Star Wars, a história que apaixonou várias gerações (foi reposta no cinema retocada digitalmente em 1997) está de volta da forma mais maravilhosa possível: homenageia no tom certo a primeira saga transportando-nos de uma forma que pensávamos já não ser possível para aquele mundo.

Ver ‘O Despertar da Força’ é voltar a ver Star Wars, apesar de agora até estar sob a égide da Disney (George Lucas vendeu a Lucasfilm em 2012). Temos um sentimento raro, mágico até, de quem vê um velho amigo, um avô (em Han Solo, que está de volta em grande) ou um lugar, ambiente e realidade que esteve tão, tão distante, numa galáxia que agora está de volta. Convence. Apaixona. É feito por um apaixonado.  

J.J. Abrams é como um miúdo que tenta aproveitar ao máximo o seu brinquedo preferido e o seu entusiasmo transborda do novo filme para as cadeiras da sala de cinema. Por ironia do destino é quando um apaixonado da saga pega nela das mãos do seu criador, George Lucas, que a aproxima da primeira trilogia.

Lucas quis fazer diferente quando voltou à saga, 16 anos depois de O Regresso do Jedi (1983). O 2ª trilogia a surgir, lançada entre 1999 e 2005, contou a história que antecedia a 1ª trilogia, os antecedentes de temível Dark Vader - episódios I, II e III. Mas essa 2ª trilogia afasta-se em demasia do ambiente dos primeiros filmes, chega a parecer uma saga diferente, menos verosímil e com personagens mais próximas da animação - notam-se em demasia os efeitos especiais.

Nesta crítica procuramos contar pouco da história e mais da experiência – é fulcral evitar os chamados ‘spoilers’. A expetativa para a nova trilogia é gigantesca (são esperados recordes inéditos), depois de um marketing forte e de um regresso tão desejado.

 

Regresso ao passado

O homem que trouxe de volta Star Trek teve a ajuda preciosa do guionista Lawrence Kasdan, de ‘O Império Contra-Ataca’ e ‘O Regresso do Jedi’, bem como do talentoso Michael Arndt (de Little Miss Sunshine e Toy Story 3). O novo filme, não sendo perfeito, é maravilhosamente rico e verdadeiramente emocionante.

Embora esteja repleto de momentos, objetos, naves e regressos desejados (Han Solo, Leia, C3PO, a mítica nave Millenium Falcon), esta é uma história passada vários anos depois da morte de Darth Vader e do fim do Império. Agora uma nova força do mal está pronta para tentar mandar.

Este Despertar da Força quase podia mesmo ter o nome do 1º filme da 1ª trilogia que estreou em 1977 (IV capítulo), Uma Nova Esperança – que conquistou, na altura, seis Óscares. Tem os mesmos ingredientes - Luke Skywalker e Rey entram no início de cada uma das duas sagas de forma parecida, até no ambiente: um planeta-deserto. Se, por um lado, é eficaz e inclui cenas emocionais para os fãs antigos, por outro chega a parecer um remake dessa saga que apaixonou tantos e está pronta para apaixonar as novas gerações que não conhecem este ‘mundo’.

A maior crítica a fazer é a colagem por vezes exagerada ao primeiro filme. Também podia e devia ter um pouco menos de frases-chavões (ou podiam passar mais despercebidas) e gerir melhor as emoções das personagens - falta tempo para chorar a morte dos desaparecidos ou recordar o passado. Mas esse colar ao passado é também um dos seus trunfos. Ao contrário dos episódios I, II e III, é memorável, apaixonante e digno do gigantesco legado. Como diria Darth Vader, «a Força é forte neste».

 

PERSONAGENS

O temível Kylo Ren
O mau da fita é este Kylo Ren, uma espécie de sucessor/seguidor de Darth Vader. E mais não dizemos. É ver na sala. O actor que o interpreta, Adam Driver (que brilhou e mostrou versatilidade e um lado negro em Enquanto Somos Jovens), tem tudo para fazer de Kylo uma personagem icónica.

O troca tintas Finn - (SPOILER ALERT)
Finn (John Boyega) é um Stormtrooper em crise existencial que se junta ao piloto exímio Poe (Oscar Isaac). Boyega não está mal no papel, o maior problema é a rapidez com que na história tão depressa está desejoso de fugir para porto seguro e longe da confusão (só pensando em si) como no momento seguinte já só quer ser herói. Cola um pouco mal a mudança drástica. Poe é uma personagem que promete mas tira todo o proveito de Oscar Isaac - que esteve bem melhor em Ex Machina.

A ‘sucateira’ Rey
A atriz Daisy Ridley é a maior surpresa do filme. Ela é Rey, uma sucateira de um planeta deserto com desafios incríveis... É a ela que o droide da Resistência BB-8, uma espécie de versão mais moderna do divertido R2-D2 (que também aparece), mais vai servir. O filme claramente tenta quebrar as falhas em igualdade de géneros (e de raças, com a presença de Finn, um Stormtropper negro) da primeira trilogia, onde só Leia tinha falas. Agora até uma mulher chefe dos Stormtroppers existe. Não faltam mulheres extra-terrestres importantes no enredo. A verdade é que não parece forçado e no caso de Rey é uma mais valia para o filme. Resulta.

Han Solo (e Chewbacca)
Harrison Ford (o único dos actores da primeira trilogia que teve uma carreira completa no cinema além de Star Wars) está mais velho, tal como Han, mas em forma e não lhe faltam dilemas, com Leia (agora General e não princesa) à mistura. Han Solo é a personagem mais convincente e memorável no início desta nova trilogia.

 

Algumas curiosidades da 1ª trilogia (IV, V, VI):

- O som das TIE Fighters, as naves de caça do Império, é uma mistura entre o som dos gritos dos elefantes e um carro a derrapar;

- A ideia da personagem Chewbacca foi de George Lucas, que se inspirou no seu próprio cão, chamado Indiana. O nome serviu também de inspiração a Spielberg para usar o nome Indiana Jones;

- Alec Guinness, o ator que foi Obi-Wan Kenobi, estava reticente em participar, dizia que parecia ser um conto de fadas de má qualidade, foi convencido com um contrato para receber 2% das receitas de bilheteira. Resultado? Lucrou mais de 95 milhões de dólares.

O Leão da Estrela: é uma família de leões, com certeza

A 2ª adaptação de um clássico da comédia nacional de Leonel Vieira é esta O Leão da Estrela, que estreia hoje por todo o país. Já sem referência ao Sporting, falámos com o guionista Tiago R. Santos e com o ator Miguel Guilherme (o Anastácio) sobre esta comédia «mais intimista» e sobre... os críticos 'eruditos'. >> 6/10

 

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Cerca de 600.000 espectadores viram O Pátio das Cantigas, versão de 2015, um recorde para os filmes portugueses nos tempos recentes mas quem nem por isso salva o filme - uma espécie de sketches de humor aglutinados. Agora chega ao cinema a segunda adaptação de Leonel Vieira de um clássico nacional.

O melhor conselho a quem viu os filmes antigos e vê agora estes? Ignorem o nome, estes não são remakes e mais vale serem vistos como filme novos e com relação ténue com os antigos-

O Leão da Estrela deixa de lado os leões de Alvalade e o FC Porto-Sporting, do filme de 1947, para se concentrar no futebol local da 3ª divisão (o que também tem a sua piada - são rivalidades diferentes mas igualmente à flor da pele). Miguel Guilherme é Anastácio, fanático pelo clube Leões de Alcochete e com um único objetivo, ir ver o importante duelo com os Barrancos do Inferno ao Alentejo.

Com menos personagens e bem mais complexo e cativante do que O Pátio das Cantigas, nesta comédia de costumes tudo gira à volta de uma família típica portuguesa – não falta o chico-espertismo e desenrascaço entre as personagens peculiares e com carisma próprio.

Tiago R. Santos, argumentista conhecido por colaborar desde Call Girl (2007) com António Pedro Vasconcelos, foi o responsável por escrever agora o guião adaptado. Ao Destak o guionista explica que «a premissa é a mesma, um tipo quer ver um jogo de futebol, tem de arranjar onde ficar e cria uma enorme mentira à volta disso porque são uma família de aldrabões, que está disposta a mentir para ficar à borla em casa de alguém».

«Era difícil fazer uma adaptação literal do filme, porque há muita coisa que já não ‘cola’, daí explorarmos o sentimento mais local. Isto é comédia-homenagem ao anterior filme, que tem a sua própria narrativa e os seus próprios diálogos», explica o experiente guionista, chamado agora por Leonel Vieira e que não escreveu o guião de O Pátio das Cantigas.

No centro da história, para além do fervoroso adepto dos Leões de Alcochete determinado em que a estrela brasileira da equipa (Divanei, um peculiar avançado amador que também é 'caixa' de supermercado) jogue, está a mulher de Anastácio (Manuela Couto), triste pelo marido se ter esquecido do aniversário de casamento, a filha popular no Facebook (Sara Matos) que tenta arranjar através de um amigo rico casa no Alentejo para a família ficar e a filha ‘rato de biblioteca’ e incompreendida (Ana Varela).

Não falta a exuberante sobrinha alentejana que vive com a família (Dânia Neto) e o namorado mecânico (Aldo Lima) que arranja um táxi para a agitada viagem pelo Alentejo, onde a família vai conhecer o adepto fanático pelo Barrancos do Inferno (José Raposo) e a rica e snob dona da casa onde esperam ficar (Alexandra Lencastre) e o seu filho (André Nunes). É na road trip até ao Alentejo e a bordo de um táxi emprestado de decorrem os melhores momentos de uma comédia leve, por vezes exagerada, mas eficaz na hora de fazer sorrir e entreter.

Entretanto o filme criou já polémica. O crítico do Público Jorge Mourinha disse que «nunca» se sentiu «tão insultado por um filme» e não olhou a palavras para atacar o que diz ser "um chorrilho de disparates filmado às três pancadas". Depois da crítica não ter sido convidada para ver O Pátio das Cantigas versão 2015, para o Leão da Estrela foi e Mourinho não olhou a argumentos para destruir. Ler a sua crítica é ler um exagero pegado. É difícil ver o filme e reconhecê-lo na crítica 'bota abaixo' de Mourinha. 

Em resposta, Tiago R. Santos que também é crítico de cinema mas da Sábado, diz que o que é verdadeiramente importante é que uma comédia «divirta o público». Sobre os chamados críticos ‘eruditos’: «escrevem uns para os outros».

«Uso o Jorge Mourinha como referência. Se ele gosta muito de um filme eu provavelmente não vou ver. Quando escrevo guiões se achar que o Mourinha vai gostar, reescrevo o guião até achar que ele vai ficar insultado», explicou com ironia.

O seu próximo projeto, novamente com António Pedro Vasconcelos, estreia já no final do próximo mês e chama-se Amor Impossível.

 

--
MIGUEL GUILHERME

Para o ator português que já tinha sido Evaristo no Pátio das Cantigas (personagem de que ainda se lembra de vez em quando), esta é uma comédia «mais intimista, o outro era mais uma orquestra sinfónica e esta diferença entre filmes é muito interessante».

Sobre gravar em família: «houve química entre a família inteira e adorei os diálogos com muita interação. São mais difíceis e desafiantes de fazer mas quando resultam dão-me uma grande satisfação a um ator». Miguel Guilherme deixou ainda um recado ao eterno dilema 'críticos' e 'popularidade', ao explicar: «só participo em filmes que tenham alguma qualidade inerente e tenham algum mérito».

Segue-se em 2016 o 3º clássico que Leonel Vieira vai adaptar, A Canção de Lisboa, que Miguel Guilherme ainda não sabe se consegue fazer. «Quero muito participar nos três filmes mas ando com uma agenda muito preenchida e não vai ser fácil», explicou.

O ator está a estrear agora uma comédia com o Bruno Nogueira no Casino Estoril chamada O Meu Vizinho Judeu e participa na novela Coração D'Ouro. «Estou morto de cansaço por ser um período tão activo mas muito feliz pelo resultado da peça», disse o ator.

E qual a dificuldade de conciliar tudo? «É muito difícil conciliar novela e peça mas quando estamos motivados é incrível ver que o corpo aguenta um pouco mais do que pensávamos. Isso é que é engraçado. Têm sido tempos desafiantes mas compensadores. Posso estar dois meses ou três a fazer muito pouca coisa como posso estar muito tempo sem parar, embora não goste de fazer projetos ao mesmo tempo. Preferia sempre fazer projeto a projeto, até pelo meu corpo.»

Sobre os críticos e o cinema português em geral o ator também lançou farpas: «O que é um bocadinho parolo no nosso meio é que se misturam alhos com bugalhos. São parolos habituais, mas não era preciso. Eu já filmei com o Manoel de Oliveira, aliás foi o realizador com quem filmei mais e ele nunca se chatearia de eu estar a fazer O Leão da Estrela ou outra comédia assim. Se calhar até achava graça. O Manoel era um senhor e percebia que uma coisa não tem a ver com a outra. Há vários tipos de público, vários tipos de cinema, as pessoas intercruzam-se. Eu sou ator e tenho tendência a fazer coisas quando acho que são engraçadas ou mesmo boas, desde que não sejam ofensivas contra as minhas ideias estruturais. Eu vivo disto e para isto.»

Matt perdido em marte com uma missão

‘Perdido em Marte’  >> 6/10

 

Foi uma pena não ter tido tempo na altura em que o vi para escrever uma crítica decente deste filme repleto de bons momentos de Ridley Scott.

O realizador inglês volta à ficção científica nesta história de uma missão a Marte que coloca um astronauta (Matt Damon, de volta ao espaço depois de Interstellar) numa situação de risco: um acidente coloca-o fora da equipa da missão e, quando todos pensavam que ele tinha morrido, ele dá sinais de vida mas percebe que acabou por ficar ‘abandonado' no planeta.

O que se segue é pura sobrevivência com ajuda de quem está na Terra. O filme podia ser mais completo e convincente em algumas partes mas vive por completo do brilhantismo de Matt Damon (podem dar-lhe mais um Óscar que é bem entregue), um homem que se torna à força habitante de Marte, mas que lida relativamente bem com isso. Ele tem uma dupla missão, sobreviver e arranjar forma de tentar voltar para casa, e uma sub-missão, contar a sua experiência para as GoPro presentes para que outros percebam o que ele está a viver e possam aprender com isso.

É esse momento Cast Away, com semelhanças ao filme em que Tom Hanks está perdido numa ilha deserta, de que vive o filme. E vive bem, diga-se. Damon é genial por lá, naquele mundo distante, onde põe em prática o seu lado de cientista mas acima de tudo de botânico - o filme até nos ajuda a perceber o quão essencial e cativante pode ser a botânica. Nesse périplo não faltam belos momentos divertidos (tudo o que ele fizesse por lá seria o primeiro homem a fazê-lo) mas também introspectivos deste homem sozinho em Marte que nos fazem tentar imaginar o que seria se ficássemos presos num planeta que não é o nosso.

 

Do incrível elenco fazem parte Jeff Daniels, Jessica Chastain, Kristen Wiig, Michael Peña, Kate Mara, Sean Bean, Sebastian Stan, Aksel Hennie e Chiwetel Ejiofor.

Sobrenatural ao estilo Del Toro mas de pouca tracção em Crimson Peak

Guillermo Del Toro volta ao terror com Crimson Peak: A Colina Vermelha. Tom Hiddleston, Mia Wasikowska e Jessica Chastain são o trio que protagoniza o filme. Que desilusão e desperdício de filme!   >> 5/10

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Um romance gótico, repleto de fantasia, mistério sobrenatural e alguns sustos. Guillermo Del Toro volta ao que o distinguiu no mundo do cinema, o fantástico, mas com uma história que chega a parecer pobre demais para ser verdade.

O realizador da saga Hellboy e de O Labirinto do Fauno aventurou-se em 2013 num blockbuster (Batalha do Pacífico) mas em ‘Crimson Peak: A Colina Vermelha’ volta ao seu famoso lado ‘negro’, agora na Inglaterra do século XIX.

Mia Wasikowska é a jovem escritora americana que acredita em fantasmas, Edith, que se envolve com o elegante inglês 'dono' de um título, Sir Thomas Sharpe (Tom Hiddleston), Jessica Chastain é a misteriosa irmã de Thomas. O que começa por ser uma visita aos Estados Unidos em trabalho, passa a ser um romance peculiar tal é o magnetismo que une Edith e Thomas. Após o assassinato do seu pai, a jovem casa-se e parte com o seu amor para a casa da família, em Inglaterra.

É na misteriosa casa de Crimson Peek que o sobrenatural e os medos de Edith mais se revelam.

O filme de Del Toro parece ter todos os ingredientes para um romance gótico convincente: óptimos atores, cenários repletos de pormenores perfeitos, efeitos visuais espantosos de um grande realismo e um realizador experiente no género. Mas para grande lamento deste escriba, peca numa história e num enredo sem capacidade de surpreender e nem sequer inclui suspense digno de nota.

No domínio do terror não é verdadeiramente assustador e isso é um verdadeiro desperdício de talentos. Ainda assim, em fotografia é notável e é cativante quanto baste. Mas no que importa não basta.

Ser ou não ser Mínimo, eis a questão

As criaturas amarelas como as bananas têm agora direito ao seu próprio filme, depois de Gru: o Maldisposto. O fenómeno Mínimos já chegou às salas lusas. Bem aparecidos sejam. Os Mínimos, felizmente, vieram para ficar.  >> 7/10

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Há seres humanos, outros seres vivos animais e vegetais e depois ainda há... os Minions, ou Mínimos.

Os pequenos seres amarelos que falam uma língua muito própria (a fazer lembrar bebés espanhóis) têm finalmente um filme só para eles. Depois de atingirem a fama na saga Gru: o Maldisposto, hoje são protagonistas em videoclips musicais, em mensagens inspiracionais nas redes sociais e constituem um verdadeiro fenómeno cultural que apaixona seres humanos de todas as idades.

Reza a lenda (do novo filme), os Mínimos existem no planeta Terra desde os primórdios dos tempos e, ao contrário dos outros seres vivos, não crescem, não se reproduzem e parecem nunca morrer.

Esta comunidade de pequenos seres amarelos como as bananas – o fruto que adoram – só se sente realizada quando estão a servir o mais cruel dos patrões. Mesmo com o seu ar simpático, bondoso e divertido, os Mínimos «só se sentem bem com um senhor a quem servir», como diz o narrador (Herman José na versão dobrada) do filme a certa altura.

Esta é a história da sua evolução desde os primórdios dos tempos, até descobrirem o patrão perfeito: Gru.

Com uma comédia muito física, a fazer lembrar o esquilo Scratch de Idade do Gelo, acompanhamos os Mínimos desde os tempos em que serviam o tiranossauro, passando por Napoleão, até ao momento em que, deprimidos e sem mestre, três deles – Kevin, Bob e Dave – decidem rumar até a uma convenção de vilões nos EUA, para descobrir um novo mestre. Por lá encontram Scarlett Overkill, a primeira supervilã do mundo. Mas o trabalho para ela em Londres vai levá-los a mais a uma aventura improvável.

O filme do estúdio franco-americano Illumination, é uma divertida aventura que faz jus ao potencial dos heróis improváveis amarelos Mínimos e os coloca perante dilemas peculiares, com os quais eles lidam de uma forma particular e original. São personagens com tanto para dar e, mesmo que pareçam falar uma língua imperceptível, conseguem ainda assim comunicar, sentir, reagir e sempre divertir.

 

A versão original conta com vozes de Sandra Bullock, Michael Keaton e Steve Coogan. Do elenco português fazem parte Soraia Chaves, César Mourão, Herman José e Vasco Palmeirim.

Pixar e o B, A, BA, das emoções humanas em 'Divertida mente'

A Pixar traz-nos 'Divertida-mente', sobre a forma como as emoções humanas (personificadas) lidam umas com as outras no cérebro de uma rapariga. Uma das melhores explicações do funcionamento do cérebro humano no cinema e, acima de tudo, uma animação encantadora com tanto para oferecer.  >> 8/10

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No início dos anos 90 uma divertida série televisiva chamada Herman’s Head – que também passou em Portugal – mostrava os diferentes traços da personalidade de um homem que, dentro do seu cérebro, tentavam ter importância. O conceito genial era apaixonante mas a série, com menos meios do que devia ter, acabou por cair nas audiências e no esquecimento. Mas o mote estava lançado - tal como Lipstick on Your Collar, uma mini série britânica com Ewan McGregor de 1993 já mostrava de forma brilhante o conceito da imaginação-ao-vivo-e-a-cores que a série Ally McBeal popularizou anos mais tarde.

A Pixar expande esse conceito e tornou-o na sua mais recente animação. 'Divertida-mente', tal como o nome indica, consegue ser uma animação divertida e repleta de imaginação capaz de agradar a miúdos, mas também a graúdos já que consegue com mestria mostrar como os diferentes traços de personalidade humana (Alegria – voz de Amy Poehler – o Medo, a Raiva, a Repulsa e a Tristeza) podem ser compatíveis.

O filme pode ser complexo demais para crianças mais novas mas consegue explorar como poucas animações o fizeram as emoções humanas em situações de dificuldade e deixar-nos a pensar sobre a forma como o que nos acontece na infância ou na idade adulta nos pode mudar e afectar as nossas reacções.

O 'cérebro' protagonista é o de uma menina que tem dificuldades em lidar com a mudança da família do pacato Minnesota até à complexa São Francisco.

Mad Max no mundo da Furiosa

Charlize Theron é uma das boas surpresas de ‘Mad Max: Estrada da Fúria’, um dos melhores filmes de ação (frenética) dos últimos anos que volta a ser realizado pelo australiano George Miller. >> 9/10

 

 

É um dos maiores riscos no cinema: voltar ao sítio (às sagas) onde já se foi feliz. Foi isso que fez o cineasta autraliano George Miller, criador do pós-apocaliptíco Mad Mad, trilogia com Mel Gibson que acabou por criar um género nos anos 80. Agora, 36 anos depois do primeiro filme (1979), o próprio Miller recomeça a saga do lendário Mad Max com, arriscamo-nos a dizer, o melhor filme de ação do ano.

A Rush of Blood to the Head. Os Coldplay têm a música (e álbum), Mad Max versão século XXI tem a experiência completa. Mad Max: Estrada da Fúria não fica nada a dever à mítica saga de Mad Max, embora seja diferente – consegue manter os níveis de adrenalina no máximo.

Esperem emoções fortes, mas também pouco diálogo e muita ação. O conflito, loucura, dilemas e profundidade estão lá todos, mesmo sem muitas palavras nem diálogos. Só o suficiente.

Em vez de estar tudo centrado num protagonista (Mel Gibson, na saga anterior), agora temos acima de tudo dois, Charlize Theron (interpretação incrível) e Tom Hardy (à altura) - por esta ordem. Ela é Furiosa, uma mulher corajosa que foge com um grupo de mulheres escravizadas pelo homem mais poderoso deste mundo desértico e decadente.

O que se segue é uma perseguição implacável com boa música, tiros, bólides rudes, artesanais, repletos de gadgets e formas originais de fazer guerra num filme onde estamos sempre em movimento, em fuga. Max é uma das várias personagens em conflito interior, que tem de decidir que lado apoiar.

Para além do brilhantismo das (longas) cenas de ação, coreagrafadas na perfeição, no meio do deserto há maldade, crueldade, boas intenções, passados sombrios e heróis improváveis.

Um sinal dos tempos. Charlize Theron acaba por ser a grande protagonista. Mesmo com Max, cujo nome só é revelado no final, a ganhar força, interesse, profundidade e bondade a cada minuto de filme que passa, Charlize é a rainha da guerra, a mulher com a missão de procurar refúgio, quando rapta as mulheres-troféu do Lorde da Guerra que comanda tudo e todos, já que controla a água num mundo torcido com falta dela.

Este mundo dominado pelos homens é rude, cruel, injusto e egoísta. Uma mulher tenta combatê-lo fugindo com as procriadoras do dono desta realidade mas só consegue ter sucesso com a ajuda de um homem. O filme não é condescendente nem com mulheres nem com homens e é um belíssimo exemplo de como um filme espectacular com algumas das melhores cenas de acção dos últimos tempos consegue ser interessante, com substância e temas actuais no meio da diversão.

Este novo Mad Max é mesmo um dos acontecimentos cinematográficos do ano e tem já honras de saga com duas sequelas agendadas. Aleluia. O cinema de acção está vivo, memorável e recomenda-se.

Quando a criação supera os... Vingadores

‘Os Vingadores: A Era de Ultron’ é uma sequela que traz espetáculo e emoções típica dos heróis da Marvel, mas também nos mostra a visão de Joss Whedon sobre o tema da moda, inteligência artificial. Analisamos ainda alguns dos exemplos recentes onde o tema tem sido 'rei'.

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O cinema aborda a inteligência artificial há várias décadas mas nos últimos anos não só os seres criados pelo homem são mais inteligentes, como passaram a ser vistos como uma espécie de pessoas… digitais. Qual o exemplo mais recente? Exatamente um dos blockbusters do ano: Os Vingadores: A Era de Ultron, que chega esta semana às salas portuguesas.

O filme volta a ser escrito e realizado por Joss Whedon, conhecido como guionista de Toy Story, Alien: O Regresso ou Buffy, Caçadora de Vampiros (a série) mas realizador desde a série Firefly, à semelhança do primeiro filme de Os Vingadores (2012).

Agora são colocados novos desafios, mais negros e introspectivos, à equipa de super-heróis da Marvel, sobre os seus traumas: Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Hulk (Mark Ruffalo); bem como à Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Hawkeye (Jeremy Renner).

Além de espetacular, repleto de excelentes efeitos, e emocionante, Os Vingadores: A Era de Ultron é também cativante e negro.

Tony Stark tenta usar um ceptro vindo do mundo de Thor para concretizar um sonho: criar um programa ultra poderoso, Ultron, para manter a paz no mundo, mas a inteligência do programa torna-o demasiado perigoso. O grupo de Vingadores não só passa a ter de o parar (com o risco de ser eliminado) como começa a sofrer de uma espécie de crise existencial face aos inimigos que colecciona (um deles tem poderes psíquicos).

 

Cinema & inteligência artificial

Desde 1927 que o cinema imagina um futuro dominado por robôs temíveis, quando Fritz Lang lançou a ficção científica Metropolis.

2001: Odisseia no Espaço (1968), Star Wars (1977), Blade Runner (1982), Tron (1982), Exterminador Implacável (1984), Curto Circuito (1986), RoboCop (1987), Star Trek: Gerações (1994), Matrix (1999) e À Boleia Pela Galáxia (2005), entre outros, também abordam o tema sobre seres humanos postos em causa (ou não) por seres de inteligência artificial (IA).

Mas os filmes dos últimos anos não só tornaram no tema uma moda, como vão mais longe na forma sombria e moralmente pouco clara como o abordam, à semelhança do filme de Spielberg de 2001: AI: Inteligência Artificial – onde a humanidade não é vista como heroína na relação com os andróides, bem pelo contrário.

De seguida ficam exemplos dos filmes mais recentes onde a temática é explorada, nuns casos de forma semelhante ao passado, em outros de forma original e nova (um sinal dos tempos e da forma como a tecnologia e a internet influencia de forma diferente o nosso quotidiano).

Her (2013)
Spike Jonze apostou numa inspirada ficção científica filosófica sobre um homem que se apaixona por um programa inteligente com voz de Scarlett Johansson. Uma perspetiva refrescante.

Interstellar (2014)
Se filmes como Alien já tinham um robô inteligente (aspeto humano), Interstellar (que homenageia 2001: Odisseia no Espaço) tem TARS, que Matthew McConaughey salva da morte certa.

Lucy (2014)
Luc Besson mostra uma nova perspetiva sobre a forma como o ser humano (Scarlett) pode entrar (e ser) digital, que também se vê no filme Neill Blomkamp, Chappie (2015).

Ex Machina (2015)
Thriller de ficção científica britânico ainda nas salas lusas de Alex Garland, coloca um humano a avaliar as qualidades humanas de uma robô sexy e com inteligência artificial.

Existem ainda outros filmes onde a temática é abordada, desde I, Robot (2004), com Will Smith, até à popular animação da Pixar Wall-E (2008). Com menos impacto e relevância mas também eles exemplos da tentativa de pegar no tema existem filmes como o britânico The Machine (2013) – sobre um informático que cria inteligência artificial para os militares –, ou o menos conseguido Autómata (2014), onde Antonio Banderas vive num mundo onde os robôs se tentam emancipar em segredo.

Johnny Depp também se aventurou no tema no filme Transcendence: A Nova Inteligência (2014), onde um cientista assassinado volta à vida quando a mulher incorpora no seu cérebro um supercomputador que lhe permite comunicar como se estivesse… vivo.

 

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  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D